BIKE, MURO E FRIDA

7 06 2012

Segunda-feira em Berlim. Compramos frutas e um cereal matinal local (vício meu de comer puro) na vendinha da esquina (sempre bom para conhecer os costumes do lugar) e passamos na farmácia pra procurar os encomendados e desejados produtos Schwarzkopf. Muito, muito difícil: a mulher não entendia inglês, eu não falava alemão, apelei para a santa mímica salvadora dos fracos e incomunicáveis. Apontava meu cabelo, apontava para o cabelo dela, para o produto, fazia gestos para shampoo, para condicionador… como eu explicaria um leave in?

Vendinha colorida (Foto: Nan)

Pegamos um metrô até o museu Martin-Gropius-Bau que tinha acabado de inaugurar uma expo super completa da Frida Kahlo. Acabado de inaugurar = fila quilométrica. Encontramos um casal inglês que estava no nosso hostel e a informação era de que seriam 4h de fila em média. Fuén! Perder 4h tendo dois dias em Berlin? NOT!

Caminhamos até o parque Tiergarten (“jardim de animais”) e pegamos 3 bikes, eu, Nanda e Moc (8 euros pra cada por um tempo razoável que não lembro). O parque parecia pintura de Monet, passamos por caminhos lindos, passarinhos e esquilos, uma casa com coelhos no jardim (!), um riozinho com ponte até chegar em um jardim com lavandas, abelhas, margaridas, fonte e estátua de veado. Pra completar a cena de conto de fadas, um casal de velhinhos passeava de mãos dadas. Se eu vomitasse ali, sairiam borboletas.

Tipo pintura…

Nan

A cidade é super plana, dava pra correr muito de bike. Tomamos uma Fritz Kola com tortinha em uma praça, fomos até o muro de Berlim, rodamos um monte e só devolvemos a bike porque era hora – não estávamos cansadas!

A moça do balcão disse que “É tipo Coca-Cola, só que melhor”

Voltamos para a expo faltando duas horas pra fechar. A fila já estava bem menor e esperamos meia horinha. Valeu a pena! A Frida Kahlo, além daquele talento indiscutível, é um lindo exemplo de força. Ver as obras deu uma emoçãozinha, o gesso todo desenhado, os vestidos…

Apesar da nuvem… não choveu! (Foto: Nanda)

Na volta pra casa, o cheirinho de pizza bem artesanal, do lado da banquinha de frutas praticamente nos arrastou…





BERLIM

21 02 2012

Aí que a noite mal dormida em Amsterdam pegou. Chegamos podres no hostel que mandou a gente esperar até 15h para fazer o check in. PQP, o jeito foi largar as malas lá, fazer um rolê pelos arredores e comer alguma coisa.

Salsichão, salada de batata, carne de porco empanada, aquela coisa bem saudável… Mas aqui, até um prato descartável fica charmoso hehe.

Schnitzel mit pommes frites (a.k.a. carne de porco à milanesa com batata frita)

E tenho dito!

De noite, devidamente instaladas, banho tomado e baterias com uma carguinha a mais, resolvemos jantar num lugar bacana para compensar o almoço trash. No caminho, aquela espiadinha básica nas lojas, mas já com saudades das liquidações de Londres…

Um restaurante vietnamita todo vermelho e moderninho  foi o escolhido, Monsieur Vuong. A foto do mano, braços fortes e boca preta, estava por toda parte… Mas a comida era maravilhosa, fresquinha, cheia de texturas!

A entrada: rolinhos de camarão super picantes e crocantes

Monsieur Vuong está te observando, Nanda! Cuidado!

Pho Hanoi – (sopa vietnamita feita de frango, macarrão de arroz, coentro, cebolinha, erva doce e outros condimentos)

Mudérrrrnu

Para fazer digestão, fomos a pé até a Alexander Platz (uma praça famosa) e depois a Berliner Fernsehturm que nada mais é do que uma antena de TV. A parada é a super vista de lá de cima e um restaurante giratório, mas nada imperdível, era o que tinha por perto.

Berliner Fernsehturm 





MADRUGADA EM AMSTERDAM

12 02 2012

De novo.
Na última viagem deu certo, tentamos repetir a dose: vôo com escala de 11h em Amsterdam = madrugada na esbórnia. Fiquei muito tentada a fazer um bate e volta para a cidade uma semana antes já que ia  rolar simplesmente WU TANG CLAN, mas o corre das aulas não me deu energia (ou grana) para fazer. Me arrependi, claro. E depois me arrependi de novo. E de novo. E assim vou, até conseguir ver um show deles em um lugar decente rs.

Bom, chegamos no aeroporto, malas no locker, compra do ticket de trem pro centro da cidade que ninguém checa, aí lembrei da história do mano que salvamos, menos de um ano antes. Foi tudo tão parecido que quase dá para confundir. Fiz o mesmo trajeto da outra vez (só que agora com a Moc e Nanda), mas paramos num Coffee Shop diferente, o Green House.
– “Tem cerveja? Não encontrei aqui no menu” – perguntou Nanda.
“Não temos, cerveja faz mal” – o atendente respondeu calmamente, sorrindo – “Quem precisa de cerveja com um cardápio desses?
É, trutinha… Life is good. And green.

De lá, o rolê ficou ainda mais delícia. Comemos num pico de noodles, passamos praticamente pelos mesmos picos da outra vez e eu me achando “A” local só pq passei uma madruga lá.

Cansadas, resolvemos voltar para o aeroporto e dormir nos confortáveis divãs e poltronas que dormimos no ano passado no aeroporto. Aí, a “local” aqui apenas não encontrou as p*rras dos divãs. Não achava, rodei o aeroporto inteiro e nada, resolvemos dormir num estofadinho de uma lan house que não estava funcionando. Detalhe: acordamos com a lan house bombando de gente e as mendigas aqui dormindo com as malas. No meio da lan.

Deixa no gelo e bora pra Berlim.





I ♥ CSM

26 01 2011

Todos os posts sobre Londres transbordam corações, mas esse eu até deixei por último…

CENTRAL SAINT MARTINS

Na verdade, o último post sobre Londres foi o início de toda a trip…

Depois de muito pesquisar um curso de fotografia em São Paulo (pós graduação no Senac? Panamericana?), a dica caiu do céu: “Tô voltando pra Londres, vou fazer Cool Hunter e História da Arte na Saint Martins, pesquisa lá!” A sugestão foi da Melissa que já tinha cursado Fashion Marketing há um tempo e amou. Berço de gente talentosa como Stella McCartney, Alexander McQueen e John Galliano entre outros, a Saint Martins transpira criatividade por todos os poros e é isso que eu procurava. Técnica aliada a (muita) inspiração.

Inspiração escorrendo pelas paredes...

♥ CSM ♥

Pode parecer estranho querer aliar férias com estudo, mas aprender e desenvolver algo que se ama é um prazer. A Central Saint Martins College of Art & Design é uma das cinco faculdades da University of the Arts London e oferece cursos de graduação, pós e intensivos. Ela é focada em moda, mas tem uma lista de mais de 400 cursos de enlouquecer como processos fotográficos alternativos, 3D para jóias, design de produtos, design de sapatos, maquiagem editorial, fotografia de moda, animação, direção de arte em filmes, styling para indústria musical, todos com muita estrutura: laboratório de revelação (35mm e médio formato), estúdios, biblioteca bacana, acervo enorme de filmes e revistas, computadores excelentes, equipamento para fazer jóias. Pudemos experimentar outras câmeras, visitamos várias exposições, conhecemos diversos projetos interessantes, a mente sai borbulhando de idéias todos os dias, com cada aula, cada discussão, cada trabalho. É um bombardeio de estímulo, inspiração e criatividade. Todo mundo sai de lá apaixonado pela escola.

Discussão sobre as fotos analógicas...

O lugar não era exatamente o que eu esperava… uma construção antiga, sem muito charme, cheio de corredores que me fizeram demorar uns dois dias para lembrar onde era a sala de aula ou o laboratório fotográfico. De qualquer forma, um prédio enorme estava sendo construído para unir os dois prédios da faculdade (olha o projetinho aqui) e prometia ser tudo o que eu esperava e a CSM merece ser.

Aula sobre luz de estúdio...

Mamiya RZ67, aula de médio formato. Amor à primeira vista.

Uma boa noção de fotografia e inglês fluente são pré requisitos já que logo na primeira aula o professor pede para analisar o material que você já tem e são muitos termos técnicos desfilando com aquele sotaque inglês fechadíssimo. De qualquer forma, era realmente gratificante mostrar fotos e receber não só elogios, mas críticas construtivas, comentários detalhados e referências de fotógrafos com trabalho parecido com o seu. Aprender técnicas novas e antigas, poder falar sobre fotografia durante horas e horas sem virar “A” chata, já que só quem curte aguenta. Poder perguntar “como faz?” para o professor cada vez que víamos uma foto de tirar o fôlego em uma exposição.

A turma é pequena e as amizades são criadas rapidamente, afinal, é o dia inteiro convivendo com gente simpática e mente aberta de todos os cantos do mundo. Um dos grandes benefícios são os contatos, aprender sobre a cultura de outros países e trocar informações… Cada aula, cada amizade, cada informação nova, cada referência, valeu cada centavo.

Central Saint Martins College of Art &Design

Clicada com uma Pentax, filme Ilford PB, impressão silver gelatin. E eu quem fiz tudinho: o clique, a revelação do negativo, a impressão na silver gelatin, técnica beeem antiga... O mais chato foi encontrar o ponto em que as paredes não ficassem superexpostas e o portão subexposto. E sim, os londrinos super posam.





COMPRAS EM LONDRES

5 12 2010

O insuportável “clima de natal” nos estabelecimentos comerciais me fez lembrar do quanto eu odeio shoppings e afins. Pois é, comprar roupa é um sofrimento que eu mesma boicoto guardando qualquer dinheiro extra para TENTAR comprar equipamento (uma lente, uma bateria, uma luz, um tripé…).

Num mundo utópico onde todos os planos dão certo, eu viajaria uma vez por ano pra gringa e compraria tudo por lá. Variedade, qualidade, preço. Ah, Mega Sena…

No rolê em Londres a gente tinha a melhor guia de compras do mundo: Melissa. Além dela já ter morado lá por algum tempo, dessa vez ela tinha chegado na cidade com umas duas semanas de antecedência pra cursar Cool Hunting na Central Saint Martins (eu já disse que essa universidade vai render um post apaixonado à parte, né) e pôde detalhar os conselhos no nível: “Não compra isso aqui, na H&M tem igual por um terço do preço.”

Não tem muito sentido fazer um guia de compras aqui já que é a coisa mais fácil do mundo de encontrar na net, mas os imperdíveis…

OXFORD STREET

♥ Top Shop ♥

H&M, Urban Outfitters, Top Shop, American Apparel, Body Shop, Primark… A rua ficava bem no meio do caminho entre a CSM (onde estudei fotografia) e o nosso hotel… beeeem chato ter que passar por lá todo dia… A Primark é um prédio de 4 andares de roupas muito, mas muito baratas, no naipe blusinha por 1,5 libras, meia calça por 3 libras, saia por 5… Cintos lindos por 1 libra cada! Garimpar é preciso pq tem coisa linda mas tem coisa de qualidade duvidosa. Zara eu me recuso a entrar na gringa desde que encontrei tudo o que comprei em Barcelona (da outra vez) na loja de SP por preços muito equivalentes. A Top Shop virou número 1 de cara. Não é tão barata, mas a variedade de acessórios, make ups, vestidinhos e tudo o mais é de morrer.

Gastei os tubos nessa seção específica...

BRICKLANE
Bricklane é o xodózinho da galera: lugares gostosos pra comer, brechós incríveis, lojas de disco, Brick Lane Market, Old Spitafield Market e quando o sol cai, rola o tal climinha de paquera e azaração. À la Londres né, onde eu ouvi dizer que as minas é que colam, elas é quem pagam a bebida… Weird.

Bricklane, baby.

Os mercados rolam de domingo, no Brick Lane Market tem, fora as roupas e objetos, um espaço com comida de tudo quanto é lugar. Eu comi um frango tailandês apimentadésimo, as minas foram de comida etíope vegetariana mas tem de tudo…

Parece saída de um editorial de moda, mas todos lá são assim, estilosérrimos.

NOTTING HILL
É, tem aquele filme zoado do Hugh Grant ainda mais zoado que rola nesses arredores. Mas dá pra entender pq escolheram o bairro como locação… ele é um charme só. De sábado tem o Portobello Market, uma feira de antiguidades de rua que lembra muito a Benedito Calixto. Passei mal com as camerinhas analógicas por lá, mas eu já estava com a Diana, a Pentax e a Nikon, sossega Carla. Fora isso, tem milhares de lojas bacanas e baratas de roupa, sapatos, discos.

Melissa, Nanda, Notting Hill... Aperto no coração.

O mais engraçado é que eu saí de lá com a sensação de que tinha comprado roupa pra 1 ano, mas quando você realmente tira tudo da mala (que claro, ultrapassou forte o peso) e separa o velho do novo, percebe que não comprou peanuts… Ah, aquela meia calça que deixei de lado… Ah, aquela blusinha que parecia cara mas aqui é o triplo… aquele brinquinho de caveira… Ah, Londres…

OBS: eu na “semana de moda” da TPM, tem várias peças compradas nesses rolês (apesar de que não sou mais produtora da Natura e que eu não comprei a meia calça da Top Shop de balaio rs, quem dera)





ALEX ROMAN E O 3D

7 11 2010

Há um tempo atrás estava comentando com um amigo fotógrafo sobre um curso de photoshop que eu estava vendo e ele me respondeu: “Photoshop é o carai, faz 3d…” Na hora fiquei meio assim, mas quando me apresentaram este vídeo… Fotógrafos e videomakers tremei.

Pois é. Viciado em arquitetura e fotografia, o espanhol Alex Roman virou sensação no momento em que postou um trabalho de computação gráfica de realidade AND bom gosto (item que James Cameron passou bem longe em Avatar) absurdos. Utilizando programas como 3D Studio Max, After Effects, Vray e outros, o cara criou, dirigiu, editou e sonorizou o filme inteiro sozinho. Se fosse fotografia ou vídeo já seria impressionante, mas sendo 3D puro… As cores, a luz, as texturas, a composição…

De chorar.





NAS & DAMIAN MARLEY

3 11 2010

Depois de tanto tempo sem atualizar aqui, tenho até que lembrar do que eu estava falando… Ah, ♥ Londres ♥…

Finalmente, finalmente, finalmente veríamos um show do Nas, aguardadíssimo!! Saímos da aula direto pro pico (estudar em horário integral tem suas desvantagens). O Hammersmith Apollo é meio longe, quase no limite da Zona 2 (difícil sair da zona 1 ou 2 em Londres) e já começamos pegando o metrô pro lado errado. Mesmo assim empolgadaças (eu, Nanda e Melissa), a empolgação morreu quando chegamos lá… O vacilo foi acreditar que “poxa nem tem muita divulgação, nem vai lotar, o pico cabe 5mil pessoas, tá relax“. Es-go-ta-do.
– “Pooorra, a gente vai ter que dar um jeito!” – aquela frase típica.
Os cambistas querendo 100 pounds sendo que o ingresso tava 35.
-“Vamos fazer cara de blasé e fingir que nem queremos tanto assim. Se pá eles baixam o valor.”
Cara de blasé, Melissa tentando fazer umas amizades pra ver se descobria algo,  um cara veio nos entrevistar para um site (“o que vcs esperam do show” e aquela coisa toda), recebemos flyer dos shows do Wu Tang e do Doom (PORRA, meus preferidos, será que o Doom vai mandar um sósia gordo?) e o horário de começar foi se aproximando.
Foi coisa de 3 segundos: um mano colou e jogou a gente pra dentro cobrando o valor real do ingresso. “Só não senta nas cadeiras porque senão alguém vai perceber, é lugar marcado.” – o tal mano cochichou.
Ok. Vimos ele sumindo e resolvemos nos embrenhar. Vamos ali mais perto vai, tá muito longe. E aqueles lugares ali, tão vazios, se alguém chegar a gente sai. E ali, mais na frente? Muito? Só um pouco mais… Enfim, nos acomodamos. Em três cadeiras bem no meio, impacientes.

E eis que o show começa. Porra, Nas, mano! O show era dele com Damian Marley, do lindíssimo disco Distant Relatives, mas é claro que eu tava na expectativa se também ia rolar alguma do Illmatic ou outras antigas.

Nas e Damian Marley

O público lá era completamente diferente do show que vimos no show do Antipop. Era público do rap mesmo, todo mundo cantando e pulando junto. “Only The Strong”, “Nah Mean”, o sample do Mulatu no som “As We Enter” enlouqueceu a galera. Acabei filmando pouco porque né… bora curtir o show!

E sim, ele não decepcionou, teve antigas:

Imagina quando ele lançou essa aqui ó:

Saímos acabadas e felizonas. Batata frita de vinagre & sal (não existe nada melhor no mundo dos salgadinhos) com  pepsi cola, metrô e zzzzzzzzzz…