5h30 da manhã de sábado, Belo Horizonte, direto pro hotel encontrar o resto da galera que saiu na quinta (conciliar dois trabalhos não é fácil). Café da manhã, idéia vai, idéia vem, rolê de reconhecimento pelos arredores, almoço e quando vamos ver, já é hora do evento.
14hs, Instituto Itapoã, em Pampulha. O evento rolou redondo, lotado, os mineiros são a simpatia em pessoa. Nas pick ups dj Marco e no mic, Kamau e o convidado, Kbeça (SNJ). Painel de graffiti com Anjo e Hyper (local), vários moleques inscritos para o campeonato de melhor manobra. Único incidente: Caio Pastel é atingido pelo próprio skate e toma alguns pontinhos na testa… “É Caio, esses pontinhos não são nada, ainda vem muito mais pela frente… essa é sua profissão…” O Caio é o mascote da equipe, doze aninhos, na visita ao quarto dele, tv ligada no desenho animado, na parada do ônibus ele vai pra seção de brinquedos, mas anda de skate igual gente grande. Revelação mesmo.

(Dj Marco, Kamau e Kbeça)

(Arthur, Finha, Gerdal, Samelo, Cris, Fábio, Sandro (sentado), Marco, Kbeça e Kamau)

(os MCs em cima de um dos prêmios)
21hs, hotel de novo. Depois da janta, com a tão aguardada “Festa no Apê – parte 2 – 10.º andar tomado” (a parte 1 foi filmada em Ribeirão) cancelada pois nosso Latininho estava acidentado, duas opções de balada: Extreme - festa da Adihash com “black music” (meda!) ou show do SNJ na Lapa Multshow. A galera se divide: eu, Kamau e Marco resolvemos prestigiar os amigos, claro.
24hs (que virou 23hs e prolongou a balada), Lapa Multishow lotadaça também. Chego no show do Are.Z.O.N.A, grupo local, sons com bastante influência de Wu Tang, vários mcs, 3 deles muito bons, resposta forte do público. É sempre muito style ver um grupo bom em lugares que tem muito menos informação e espaço. Depois, sobem ao palco Kamau e dj Marco. Freestyle, alguns (e algumas) mcs locais para rimar junto, e, definitivamente, mineiro não é tão quietinho assim. Perco o outro show (que minha memória de peixe não deixa lembrar o nome). Um pouco depois… A sigla!! SNJ no palco. “Dois caras, um dj e uma mulher, armados até os dentes de pura fé“. Set List com 21 sons, antigos, atuais e inédita, todo mundo cantando todas as letras. “Da menina da escola à mina que sobe no palco e rima, se tem um objetivo lute que Deus ilumina“. Wooow. Quando a Cris entra a platéia vem abaixo, todos eles têm muito carisma, dá para ver a admiração do público. Positivismo elevado à décima potência, show do bem.
Mas. O mas é um saco. Mas tem sempre na platéia uma meia dúzia mal intencionada. E pra estragar a balada é um, dois. E começou uma treta pequena. E a treta aumenta. E ela toma o lugar todo. E pára o show. E estraga o trampo de vários meses de várias pessoas que estavam ali. E queima o filme do rap em mais um pico bacana para show. E quem faz isso? A meia dúzia mal intencionada que nem gosta de rap. E quem sofre as consequências? O grupo, os organizadores, o público. Todo mundo. Menos a meia dúzia que vai continuar causando por aí. Triste. O que fazer? Há uma semana atrás, fiquei sabendo que o Mano Brown convocou os rappers para uma reunião no centro da cidade para falar sobre a violência das letras de rap, a influência negativa na vida das pessoas e “eu errei” com sons como “Artigo 157″. Essa é uma mudança a longo prazo, que só vai dar pra perceber nos próximos discos, e mais pra frente, na reação do público, e mais pra frente, na mudança (ou não) da atitude da galera. Mas é o primeiro passo. Largo. Agora, o que justifica esse tipo de atitude num show como o do SNJ? Por isso concluo que é a meia dúzia que nem rap ouve. E aí, o que fazer?
Já disse o Bastardo, “O mundo é grande, tem espaço para todos, tome conta da sua vida e esqueça a dos outros“.

(Kamau e Marco)

(Kbeça, Cris e Bastardo)
Quase 7hs da manhã, carona de volta, café da manhã, arruma as coisas, junta a galera e 12h, estrada… Milhares de paradas, guerra de travesseiros.

(O caos – a guerra de travesseiros foi evoluindo durante a viagem, já tinha grupos, munição modificada (acrescenta um cobertor no travesseiro e vc vai ver a força), estratégias e o kamikaze do Samelo que invadiu o lado oposto e tomou muitas)

(Kamau, estratégico, acumulando toda a munição do ônibus para o ataque)
21hs, Sampa. Lembro que dormir é uma necessidade física e não opção.
(originalmente publicada em 21/02/05)
Sua vez…