E O SHOW FOI TIPO COMO?

31 01 2010

…Colombianoooo!


(video by Lu Playmo)

O sábado prometia e São Pedro entendeu: sem chuva naquele final de tarde para deixar a galera de boa para curtir um show style.

O Espaço Soma já tem aquela pegada bacana que todo mundo conhece. Aí vc olha ao redor e tem Makoto, Lumbriga, Congelado, Kamau, PG,  Melissa, Caio, Pitzan, Bananinha, Valé, Negão, Nathy Vaz, caraaalho, vários amigos! E foi chegando mais, Tiago Rocha comemorando o rap níver, Beraba, Lu Playmo, Marco Grilo, Don Cesão, Marcílio, Shou, Jamés, Nunca, Teod, Érry Jota…  mó bondão do bem… Tinha como ser diferente? A regra aqui é poucos e bons shows. Mas tem que ficar pra história. Um dos recordes de público da casa e a vibe na luuuua!!!

"Então se eu levo a paz comigo eu tô sempre em um bom lugar!"

O show foi intercalando as pedradas com as pauladas… Bonito demais ver todo mundo cantando junto, mesmo naquele flow cabuloso do Shaw!

Shaw e Dj Mako

E a surpresa do final… Lum e Congelado botaram a casa abaixo com a “Dias em Branco” e, quando entrou a primeira nota da “Destruir”… wooow! A casa caiu de vez! Subsolo arregaçou! Foi emocionante…

"Preso à liberdade assim como o vento!" Lumbriga e Congelado possuídos...

"1 pela grana, 2 pelo jogo, 3 pela fama vai, confessa pro meu povo!"

"Porque os mais gananciosos só conquistam metade, é por essas e por outras que eu vou atrás da verdade..."

RT (foda) do Kamau, no twitter: “Shaw, meu parceiro, muita inspiração mesmo de longe pra que eu seja o melhor MC q eu puder. Obrigado pelo show de ontem!”

obs1 – Valeuzaço Edu Filial, Kamau, Lum, Congelado, Mako e todo mundo que ajudou a divulgar e colou! Coisa de louco!
obs2 – Tem som novo do Lumbriga e Congelado aqui ó
obs3 – Em uma semaninha entra no ar o Programa Freestyle Estúdio com Kamau, acompanhe aqui .





7FRAGMENTOS

25 01 2010

Um projeto muito comum para quem está começando a fotografar é o Projeto 365: uma foto por dia durante um ano. Adaptando essa história para a vida moderna de pessoas ocupadas que não querem abandonar nada no meio, criamos o Projeto 7Fragmentos: uma foto por dia durante uma semana (a última de cada mês) com um tema específico.

Três olhares, um tema, sete dias, doze meses.
http://www.flickr.com/photos/7fragmentos/

TEMA DE JANEIRO: CHUVA

Chuva 1/7 - Carla Arakaki

 http://www.flickr.com/photos/cafecombolachas/

Chuva 1/7 - Marcela Ferri

 http://www.flickr.com/photos/m_3_colors/

Chuva 1/7 - Marcello Dezallez

http://www.flickr.com/photos/dezallez





SHAW NO ESPAÇO SOMA

22 01 2010





BÔNUS TRACK: AMSTERDAM

22 01 2010

Ou, o dia em que salvamos uma vida!

Nossa volta de Barcelona para Sampa city via KLM tinha uma pequena escala em Amsterdam… de nada menos do que 11 horas! Não gostamos nada da idéia, afinal, chatíssimo ficar 11h de rolê pela Disney dos adultos, bem na hora da balada.

Amsterdam

Largamos a bagagem de mão nos lockers do aeroporto, compramos a passagem de trem para a cidade e fomos saltitantes para a estação (vazia).

No relógio, 23h.  Na plataforma limpíssima, nós 3, um casal e um silêncio tranquilo, até que surge um mano bem louco pisando torto e gritando alguma coisa enrolada, com a voz meio fade out, sabe, diminuindo?
- “Ih, dando bapho, não sabe se drogar…”
Nem bem terminamos a frase, a voz some.
- “Cadê o cara?” - perguntou Letícia, enquanto procurava na plataforma do lado - “Gente!!! Ele caiu!! O cara caiu na linha!!”
Sim, o cara caiu no buraco dos trilhos. Não é possível, tamanha cabacisse!!
- “Pelo menos o trem dessa linha acabou de passar, vai demorar até…”
Não deu meio segundo, uma luz redonda surge no final do túnel, no melhor estilo Pica Pau: era a porra do trem vindo!!! O motora (como chama motora de trem mesmo?) do trem da linha ao lado deu um pulo na cabine e começou a ligar para alguém, tenso. O casal correu para buscar ajuda. Não deu nem tempo de pensar: Letícia correu até o cara que, num surto de lucidez, jogou os braços pra cima nos ajudando a puxá-lo para cima, cada uma segurando de um lado e a Carol puxando as pernas. E o trem passou. Nosso coração, dis-pa-ra-do. E se não estivéssemos ali?

Nem dois minutos depois, surgem dois policiais loiros com o casal, phynos, pareciam saídos de um filme, juro que os enxerguei entrando em cena em câmera lenta, com cabelos ao vento. Agacharam do lado do infeliz sem tocá-lo, pronunciaram algumas frases (devia ser algo como “o sr. está bem?”) e ali ficaram por muitos minutos, enquanto o cara permanecia imóvel. Eis que nosso trem chegou e nós partimos sem saber o desfecho.

obs1 -  Imagina a mesma cena no metrô de SP… chegam dois policiais chutando o vida loca: ”vagabundo drogado, tá prejudicando o bom andamento das coisas…
obs2 – “Mas vc não fotografou?” foi a pergunta que mais ouvi quando contei essa história, bando de insensíveis.

Laricas, cabelos loiros e bikes

Chegamos com a cidade fervendo. Bikes por todo lado, picos de larica lotados, coffee shops charmosos, bitches na vitrine, Amsterdam acontecendo… Paramos no Bulldog (especificamente este aqui), coffee shop famoso que também é hotel, fabrica seda, energy drink, enfim… O atendente falava português super bem (tinha namorado com uma portuguesa):

- “Se você só pudesse experimentar um tipo, qual seria?”
- “Silver Haze, sente só…”
- “Uia… E cogumelos em formato de chocolate?”
- “Esse foi proibido.”
- “Poxa, que pena, queria levar pro Brasil, de presente…”
- “Por isso foi proibido rs”
A uma da manhã, quase tudo fecha. E eles são pontuais: desligam as luzes, o som, sobem as cadeiras… E grande parte da diversão acaba. Alguns picos de larica mais guerreiros seguem firme no turno noturno. Donuts (essa foto do cabeçalho do blog eu fiz lá),  snickers de chocolate branco (catei vários pro Shaw, que ama esse chocolate), Kit Kat Senses, Kit Kat de chocolate branco, de chocolate meio amargo e outras coisitas mais.

Lolipops...

Duas da manhã e as três felizes, andando a pé pela cidade toda, fotografando mal e porcamente (flash podre da cam, ou seja, sem condições de luz e nem de espírito rs) e passando muito frio (no pique do Marrocos, nem pensamos em blusa)… A moça do mercadinho parecia uma Barbie, tinha polícia em toda parte cuidando, de fato (!), da nossa segurança. Perguntamos para umas 4 pessoas diferentes se era tranquilo ficarmos andando sozinhas por lá àquela hora, todas as resposta iguais: completamente seguro. Como brasileiro é nóia!

Tão lindo... Imagina de dia...

- “Vamos passar na rua das putas gorditas?” – e lá fomos nós…
É estranhíssimo ver aquelas mulheres na vitrine que, aliás, não podem ser fotografadas (fingi que ia fotografar a Le e cliquei rapidinho, tensa, por isso ficou uó). São verdadeiras mercadorias, você passa, escolhe, entra, paga e come.
- “Nossa, essa é gorda mesmo!” comentou Letícia. E não é que a mulher saiu da vitrine para nos xingar? Será que era brasileira?

O povo apreciando a vitrine local...

Momentos depois, três caras fantasiados começam a cantar e tocar para nós… “Why are you singing?” “Just because…” É, malucos não faltavam. Chegou um certo momento que não tinha mais o que fazer. 4h da manhã, friaca, cansaço, tristeza de fim de trip, ansiedade para voltar pra casa e matar as saudades do namo e da family…

Dessa vez tinha acabado mesmo.





PROGRAMA FREESTYLE

17 01 2010

Tá de bobeira? Então ouve aí:

PROGRAMA FREESTYLE COM SHAWLIN (clique aqui)
Carreira, Subsolo, disco novo… E no player, Black Milk, Guilty Simpson, J Dilla… Tá bom pra vc?

Valeu Marcílio!





ALMODÓVAR E SEU “ABRAÇOS PARTIDOS”

17 01 2010

 ABRAÇOS PARTIDOS (Los Abrazos Rotos), 2009, Espanha, dir: Pedro Almodóvar. Na primeira vez em que vi esse filme em cartaz, nem dei bola, crente que era um retorno de ”O Abraço Partido”, aquele filme argentino de 2004. Não era o argentino, mas não deixa de ser um retorno. O combo ‘Almodóvar + Penélope Cruz + dramalhão + cores saturadas’ pode ser incrível – mas será que ainda não cansou? Bom, talvez o fato do diretor deixar um pouco de lado sua paixão pela alma feminina e resolver focar em um interessante personagem masculino, cause certo interesse. O tema é cinema e seu protagonista é o cineasta Mateo. Penélope Cruz é Lena (linda como sempre), aspirante a atriz que se casa com um velho rico que resolve seus problemas financeiros (como a doença do pai) e banca o filme de Mateo (“Garotas e Malas”), já que ela é a atriz principal. É claro que Mateo e Lena se envolvem e desgraças acontecem já que ambos ficam obcecados por ela, bla bla blá. O filme é bacana mas não memorável, e a culpa é certamente a expectativa que Almodóvar cria… É claro que vale conferir.





CASABLANCA

11 01 2010

O nome gera expectativas, afinal, quem nunca assistiu ao clássico dos clássicos dirigido por Michael Curtiz em 1942? Pena que o filme foi inteiramente rodado em Hollywood, ou seja… Não espere nada parecido.

Casablanca (الدار البيضاء) fica na Costa Atlântica e é a maior cidade do Marrocos, maior centro industrial e comercial, possui o maior porto (4.º mais movimentado da África), o maior aeroporto em volume de passageiros (Mohammed V) e a maior mesquita do país (terceira maior do mundo). Tantos “maiores” só podiam resultar nisso: decepção. A cidade é praticamente igual à maioria das grandes cidades ocidentais, modernosa. Prédios altos, trânsito, empresas multinacionais…

Sem o charme das outras cidades... Foto: Carol

De Fez para Casablanca de trem, foram 4h. Já tínhamos pré selecionado um hotel - o Transatlantique - mas quando passamos o endereço para o taxista, ele entortou a cara e fez um sinal estranho, tampando metade da boca. Meia boca? Gente, será que essa expressão existe aqui?
- “Half mouth? What do you mean, man?”
O inglês do cara era praticamente nulo, então ele seguiu firme na mímica, tampando metade da boca.
- “Fun!” – dizia ele.
- “Yeees, fun! Uhu!” – respondemos fazendo mímica para diversão.
- “Nooo!” – e lançou uns folhetos de hotel. “This” – apontava – “Good! Transatlantique no!”
Conversa vai, conversa vem, chegamos à conclusão de que o cara era muito religioso e achava que o hotel que escolhemos era meio style putaria. “O hotel Transatlantique tem um ótimo restaurante internacional, além de um clube noturno com música marroquina e dança do ventre- dizia o guia PubliFolha. Ou então, ele ganha comissão pelos turistas que leva e esse não estava na lista. Mais provável, claro. Ele ofereceu nos levar até o hotel que ele sugeria e, se não curtíssemos, ele nos levava de graça no nosso. Belê.

Casablanca. Foto: Carol

O Diwan Hotel era bem bacana, 4 estrelas a um bom preço (que a Letícia conseguiu pechinchar, claro). Depois de tanto camelar, achamos que merecíamos um bom hotel para fechar a trip. O quarto e o banheiro foram os mais “pans” da viagem e havia um espaço reservado para a reza, com uma seta indicando onde fica Meca e um tapetinho no chão. O restaurante também era maravilhoso, apesar da dificuldade de pedir. Pois é, em um hotel 4 estrelas, somente o cara da recepção falava inglês e o cardápio, só em francês. Ok, a comida bem feita e bem temperada compensou tudo.

Casablanca possui uma das poucas mesquitas no mundo onde não-muçulmanos podem entrar (Hassan II), mas os horários são super restritos e é obrigatório um guia. Além de ser ma-ra-vi-lho-sa, ela possui um minarete de 200m (!) de altura e, se não me engano, é considerado o mais alto templo do mundo. Como os passeios são às 9h, 10h, 11h e 14h e nosso trem chegou às 15h, rodamos. Na verdade, estávamos tão exaustas e amassadas que praticamente não tínhamos pique para mais nada. Fomos para Casablanca muito mais pelo fato do nosso vôo de volta para Barcelona partir de lá.

De noite, a idéia era encher a cara para bebemorar o rolê, mas… no alcohol!
- “Nada mesmo? Nem vinho?” – nem vinho. Ok, brindamos com suco uma das melhores férias das nossas vidas.

Agora era  fechar as malas e partir. E a ficha só caiu quando percebemos que a bela melodia dos chamados diários para a oração foram substituídos pelo barulho de carros e ônibus. Casablanca realmente era outra parada.

Grand táxi a caminho do aeroporto. Lá atrás, Dell, Oracle... Foto: Letícia

Marrocos virou parte de mim. Um sentimento egoísta, de querer guardar o país dentro da mala e colocar na minha casa… De querer ler o Corão inteiro e ser amiga de to-dos os marroquinos. De querer aprender árabe, ter uma casa azul em Chaouen e ficar mais para conhecer Merzouga, Rabat, Meknés, Essaouira, Tânger, Volubilis, Agadir, El-Jadida…

O país é cativante e já tem uma porção de casas de atores hollywoodianos, principalmente em Marrakesh. Como lá é o lugar que mais bomba disparado, é bom ficar esperto pois, apesar da grande maioria ser extremamente receptiva, sempre tem os espertos querendo ganhar um extra do turista. Fotografou o macaco? Pagou. Fotografou a criança? Pagou. Fora de Marrakesh, o mercenarismo não é tão feroz e as pessoas são mais relax (também, imagina que saco um monte de nego cor de rosa te fotografando como atração turística).

Mesmo em Marrakesh, ele deixou eu fazer um retrato dele na simpatia...

Se for visitar, é bacana evitar o verão, pois o calor não deixa as pessoas saírem do hotel antes das 16h. Só consumir água mineral (bebidas geladas mas sem pedras de gelo, exceto no Mc Donald’s) e pechinchar sempre, sem vergonha (vira um vício… um problema na volta!). Respeitar a cultura alheia e prestar atenção na roupa que você sai (dependendo do lugar), além de evitar comer na frente deles em época de ramadã é o mínimo.

Em tempo: 1 Dirham = 0,22 Reais.

Tiozinhos simpáticos de Ait Benhaddou.

É engraçado que, mesmo com tantos posts sobre a viagem, parece que ainda tenho muito para contar. Lembro de cenas como a de alguns caras torcendo o pescoço para olhar para uma mulher marroquina com somente o rosto descoberto, ao invés de olhar para um grupo de gringas loiras que passava do outro lado da rua com suas micro saias, provando que a sensualidade passa longe da vulgaridade.

Irônico também foi saber que, lá nos fundamentos do Islamismo, a mulher e o homem são iguais perante Alá. A primeira esposa de Maomé foi uma rica comerciante, mais velha do que ele, e a primeira pessoa a se converter à religião pregada pelo seu marido. Sumemo, o primeiro muçulmano do mundo foi uma mulher. Depois ela morreu, Maomé se casou com outras mulheres sendo Aisha (que se casou aos 9!!), a mais inteligente e respeitada. Quando ele morreu, ela tinha 18 anos e, apesar do Corão estar escrito, muitas dúvidas em relação à conduta ainda surgiam constantemente. Ela virou uma das pessoas mais consultadas quando essas dúvidas surgiam e, juntamente com as pessoas próximas ao profeta, compilaram tudo em Hadiths (uma espécie de guia para os fiéis). Ou seja, a palavra de uma mulher contribuiu para os fundamentos do Islã. Como isso se perdeu? Não dá para contar a história toda aqui, mas em suma, dois caras que não gostavam de Aisha inventaram algumas palavras supostamente ditas por Maomé (“mulheres, cães e jumentos atrapalham a oração” e “aqueles que confiam seus negócios a uma mulher nunca conhecerão a prosperidade”) e eles acabaram tendo mais credibilidade por causa de algumas decisões equivocadas de Aisha.

Nos labirintos de Fez.

Sim, viajar é aprendizado intenso e constante. A vontade de congelar cada momento se transformou em milhares de fotos, filminhos, cds de samples (ops!) músicas árabes, novos amigos e velhas amizades reforçadas.

Saldo final: zero brigas durante a trip inteira! Loviú girls!

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Ah, e a cereja do bolo: nosso rolê saiu na Revista TPM Ed. 94, edição especial de verão – dez/jan, que ainda está nas bancas (Texto e fotos: Carla Arakaki). De quebra, o primeiro ensaio com os funcionários da Trip!
Special thanks: Carol Sganzerla e Rê Leão!

TPM #94





CHEFCHAOUEN

2 01 2010

Uma cidade toda azul, conhecida por ser o maior centro produtor de kif (maconha) do Marrocos. Interessante?

Estou apaixonada pela cidade até agora... E as parreiras na parte de cima?

Como Chefchaouen (الشاون‎) era a somente 4 horas de busão de Fez, resolvemos fazer um bate e volta para não termos que viajar de novo com as malas que estavam cada vez mais pesadas. Quando compramos a passagem de ida já queríamos garantir a volta, mas o moço nos disse que não era possível. Estranho…

O ônibus era limpo, novo e confortável. Estava bem vazio e cada uma pegou duas poltronas. E lá fomos nós, em direção ao extremo norte do Marrocos. Depois de umas 2h30 de viagem, resolvi ir ao banheiro. Segui até a parte traseira e abri a portinha que tinha ali. Tensão! Era somente um depósito de cobertores e travesseiros de viagem! Putz, não tinha banheiro no busão… Fui direto na Letícia, já que a Carol tem uma bexiga com reservatório.
- “Le, não tem banheiro.”
- “Não? Puuuuutz, eu estou super apertada!
E lá fomos nós tentar a comunicação com o motora que, é claro, não entendia inglês nem espanhol. Um pouco de mímica foi suficiente para ele entender e encostar no primeiro posto que apareceu.
- “Ih tá tudo fechado!” – comentei, quando olhei o motora seguindo com convicção em direção à porta fechada com cadeiras da loja de conveniência apagada.
- “Ué, aonde ele vai?
E não é que o cara arrombou a porta? Metade do busão aproveitou e foi no banheiro modelo buraco no chão.

Um menino da nossa idade com cara de turista nos viu conversando e puxou assunto com aquela primeira frase básica: “Where are you from?”"Brasil! And you?” “I’m from Chefchaouen!”. Surpresa! Um loiro com pinta de turista era marroquino de Chefchaouen, colocando por água abaixo o estereótipo que conhecíamos até agora. Youssef  já tinha estudado nos EUA por algum tempo então falava bem o inglês e o espanhol (Chaouen fica na parte colonizada pelos espanhóis). Inundamos ele de perguntas sobre Islamismo, costumes, regras, extremismo, sobre o rei Mohammed VI, política interna, sobre mulheres e suas conquistas, burcas, sobre o dia a dia dos jovens, baladas, sobre as pedras de pé que vimos no meio do caminho (eram cemitérios, como imaginávamos), sobre cada cidade que fomos e claro, sobre Chaouen e a plantação de kif (maconha).

Saída da rodoviária. Caótica como a Tietê né...

Descemos do ônibus, Youssef seguiu seu caminho (o irmão mais velho dele foi buscá-lo - tinha cara árabe típica, de bigodon e tudo) e nós fomos para a cidade de petit táxi (que aliás, demorou para passar nesse lugar “movimentado” da foto). Estava meio nublado, friozinho mesmo, pois a cidade fica no meio de montanhas. De longe dá para ver as casinhas azuis, lindas, mas nem sinal das enormes plantações de kif (lá o cultivo é permitido, mas comercializar, consumir ou mesmo portar é proibido, então não é muito indicado passar por lá). O Youssef tinha comentado que elas ficam depois das montanhas e que, provavelmente em 2010, o governo deveria acabar com elas.

Seguimos até uma pracinha fofa (Outta Hamman) com um pinheiro enorme no meio, chão de pedra e uma vibe agradabilíssima. Era saída da mesquita, então a praça estava cheia de velhinhos de túnica, capuz pontudo e longas barbas, além de mulheres cobertas e crianças brincando. Do lado da Grande Mesquita (esse minarete era octogonal), uma belíssima casbá. Às vezes o sol dava as caras como que para dar um brilho extra pra cidade. Encantador.

Charmosa... Adoraria ter uma casinha azul em Chaouen...

Sentamos num restaurante e pedimos um kebab de frango temperadíssimo com cebolas e pimentão, batata frita, um pãozinho (era francês, até que enfim!) com azeitonas apimentadas e coca-cola. Perfeito! Nosso penúltimo dia no Marrocos estava sendo incrivelmente agradável!

Tipo... Guardanapos temáticos?

- “Maaaaano!” - quase engasguei – “Não compramos a passagem de volta!!”
- “PQP!”

Terminamos de comer e resolvemos não arriscar – pegamos o petit táxi e fomos até a rodoviária comprar antecipado.

- “Antecipado? Amanhã acaba o ramadã!! Não tem mais passagem nenhuma pra Fez até segunda-feira!” (era sexta) – exclamou o atendente em espanhol.

Estiquei o olho para ver o controle do moço: era um caderno velho com tudo escrito à mão!!! Por isso que não dava para comprar a volta de Fez! “Nossa, vou doar meu pc velho para eles, coitados!” – pensei. Quando vi a cara da Carol e da Le, comecei a me tocar que era grave.
- “Tem para outro lugar?”

- “Hoje, só Tanger daqui a meia hora”

Não!! Além de ser arriscado ir para Tânger e pegar um trem ou busão de lá, acabamos de chegar na cidade, não teria sentido ir embora já! Ficar em Chaouen e ir embora no dia seguinte seria prejuízo demais, pois estávamos pagando o hotel de Fez, teríamos que pagar um ali e ainda perder o trem para Casablanca que sairia de manhã. Olhamos ao redor e não tinha outra companhia, outro guichê, nem outra pessoa para perguntar nada! Será que ligamos para o Youssef para pedir alguma dica? Sacanagem, o cara tá com a família e nem conhece a gente. Recorremos ao taxista que nos aguardava – o que ele sugeriria?
- “Tenho um amigo que tem grand taxi, posso ver quanto ele cobraria.”

Por lá, somente os grand táxis têm direito de circular fora das cidades. Fez algumas ligações e voltou com um preço: 800 dirhams.
- “Aaaaafe, 400 dh!”
- “Não, 800 dirhams é o preço final. Ele tem que ir para Fez e voltar”
.
Tentamos negociar com outros grand taxis no caminho e eles pediam de 1000 dh pra cima. Não tivemos alternativa. Assumimos o prejuízo e marcamos às 20h30 na pracinha. Só nos restava torcer para o cara não nos dar o bolo. Lembrei daquele famoso palíndromo (frase/palavra que pode ser lida da esquerda para a direita e vice versa): “socorram me subi no onibus em marrocos“. Ok, o jeito é curtir a cidade.

Azul, azul e azul pra quebrar... Foto: Letícia

O lugar é tão lindo e calmo que é como se a cor azul de todas as casinhas tivessem algum efeito. Os locais eram bem simpáticos e tentavam puxar alguma conversa, seja perguntando de onde éramos, se precisávamos de guia (nessa micro cidade?) e, claro, bem mais discretamente ”Chocolate or kif?” (haxixe ou maconha – ambos de cor bem clara). Crianças brincando pelas ruas, marroquinos muito bem vestidos (vimos mulheres de túnica chanel, bolsas de marca, homens elegantes com gelzinho no cabelo, pareceu ser uma cidade mais rica), alguns hippies provavelmente atraídos pelas plantações e muitos gatinhos (animais). Turistas fumando um em restaurantes é bem comum (ué?), em compensação polícia, não vi nenhuma. Caminhamos pelas montanhas até quase o topo, de onde dava para ver a cidade toda, vista arrasa quarteirões mesmo…

A vista das montanhas...

Às 20h30 em ponto, vimos o grand táxi estacionando no local combinado. Os marroquinos são mesmo o máximo! Exaustas, fomos ouvindo música árabe e a conversa do amigo do taxista (para voltar fazendo companhia ao motora) durante quase 4h… Em Fez, o cara não sabia como chegar ao nosso hotel e, claro, muito menos nós.  Perguntou a um cara na rua e, para nossa surpresa, após algumas palavras em árabe, ele pulou para dentro do carro! Cena bizarra! Três manos enormes esmagadinhos na frente e nós três rachando o bico atrás. Chegamos direitinho e os 3 seguiram de volta. Provavelmente o motora ofereceu uma carona em troca da informação, coisa fofa que só poderia acontecer lá…

Podres e tristes com a sensação de “está acabando”, a noite foi estranha… Acordei na madruga ouvindo o agradável e melodioso chamado da mesquita para a última refeição e reza antes do sol nascer: “Allah hu Akbar” (Allah é grande). Coração apertado… Agora era Casablanca e fim.





TOKYO!

2 01 2010

TOKYO! - 2008, França, Japão, Alemanha e Coréia do Sul, dir: Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho. Só tinha uma sessão em uma sala de cinema (HSBC Belas Artes), mas finalmente consegui assistir! Tokyo é um longa dividido em 3 curtas, cada um dirigido por um diretor – curiosamente, somente “não japoneses”.  Assim, apesar do tema ser Japão, a boa é não esperar a insanidade oriental de costume. Nesse caso, foi mais para o bizarro mesmo.

“Interior Design”, dirigido por Michel Gondry (do maravilhoso “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança“), conta a história de um casal japa que foi morar em Tóquio, inicialmente hospedado por uma amiga. Com o tempo, o cara começa a ter algum avanço (mesmo que estranho) na área dele (cinema) e consegue um trabalho como empacotador de caixas em uma loja. Já ela, além de não ter sido contratada nem para isso, começa a sentir-se progressivamente mais e mais inútil. De repente, bam! Ela vira uma cadeira e sente-se um pouco mais útil. E feliz, pasmem! Eu disse que era bizarro. Vi em algum lugar que essa história é baseada num quadrinho de Gabrielle Bell, mudando somente a localização das personagens (inicialmente NY).

Se você achou esse primeiro curta bizarro, espere até ver este. “Merde”, de Leos Carax (nunca tinha visto nada dele até então), é sobre um ser nojento (estilo um leprechaun, aqueles anões irlandeses de roupa verde) que vive no esgoto de Tóquio e sai de vez em quando só para aterrorizar a galera. Empurra, joga cinzas, roube e come dinheiro, esse tipo de coisa boba e de mau gosto. Um dia, ele encontra uma caixa de granadas da época da Segunda Guerra e, aí sim, causa um massacre nas ruas. Irritantemente besta, mas o terceiro curta definitivamente salvou o filme.

“Shaking Tokyo”, do chinês Bong Joo-Hoo (O Hospedeiro), é o mais belo de todos e já vale o filme, tanto pela história e fotografia, como pela forma em que ela é contada, cheia de pequenos detalhes cativantes. Os Hikikomoris são aqueles eremitas japas que não saem dos seus apartamentos para nada. Numa casa/ vida toda planejadinha para viver o resto dos seus dias assim (com a grana enviada pelo pai), o mano do filme (não lembro se o nome dele foi citado) tem que lidar, no máximo, com os entregadores de comida, com quem não faz nenhum tipo de contato visual. Um belo dia, ele não resiste a uma cinta liga (ô clichê japa) e olha para a entregadora de pizza. No mesmo momento, um pequeno terremoto faz com que ela desmaie e ele seja obrigado a se comunicar com ela, mesmo que rapidamente. Isso basta para ele ficar fissurado pela garota e descobrir que ela também tornou-se uma hikikomori. E agora, como um eremita encontra outro? Definitivamente veio do coreano o olhar mais interessante sobre o Japão.








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