Falar de comida pra mim é quase tão prazeroso quanto comer. Sou viciada em receitas, temperinhos, utensílios domésticos… Na viagem não comemos bem o tempo todo, mesmo porque ainda tínhamos que nos preocupar com o tempo e o preço, mas pelo menos prezamos a variedade, cumprindo o que prometi antes de viajar (abrir mais meus horizontes alimentícios).
PRATOS TÍPICOS
Paella – dispensa apresentações, é aquele prato à base de arroz e, na maioria das vezes, frutos do mar. Com exceção do peixe, eu não sou muito chegada nessa galera do oceano então sou suspeita para indicar, mas segundo Letícia, a de arroz negro é insuperável. Eu experimentei e senti o mesmo gosto de mar da paella de camarão.

Olha o tamanho do amigo... Foto: Carol
Bocadillos – é tipo um sanduíche de metro, feito na baguete (sempre crocante). Os recheios são variados, mas rola um molhinho vermelho default… Atum com azeitonas, tortilla, chouriço, frango…
Tapas – são porçõezinhas variadas (veja o cardápio do Tapas, a balada), mas a melhor ever é a de batatas bravas, beeem bravas. Pimenta é um vício.
RESTAURANTES
Restaurantes típicos são facílimos de encontrar, a maioria com o esquema “menu” (entrada, prato do dia, bebida, sobremesa) de 6 a 12 euros. O serviço (propina) não é obrigatório mas é de bom tom deixar uns 10% (isso quando não é um imbecil mal educado atendendo). Os japas também bombam por lá, mas tem dois específicos que merecem indicação:
MIU – Carrer de Valencia, 249. Além de ser lindo, todo azul turquesa, a comida é perfeita e está sempre cheio, mas como ele fica num salão enorme no subsolo, sempre tem lugar. Os donos são dois brasileiros - Thiago e Mauro (super queridos) – em sociedade com um grupo grande de lá. Na hora do almoço, o menu custa 11 euros.

Tudo azul turquesa, até o banheiro...
FISHOP – Passeig de Gracia, 53. A idéia é remeter a uma peixaria mesmo. O povo do mar fica todo exposto numa bancada com gelo (e não fede, não se preocupem) enquanto os sushimen preparam pratos incríveis. Comi enguia, ovas de salmão, lula e até maçã no meio da salada (eu, que odeio doce e salgado misturado). Fui arrojada hein?

O Fishop também fica no Subsolo

Os dois sushimen brasileiros gente boníssima, Luciano e Saulo.
E o grand finale:
DOS CIELOS – Um orgasmo gastronômico. Um restaurante espanhol situado no alto de um hotel 5 estrelas (ME), conduzido por dois chefs gêmeos: Javier e Sergio Torres, os mesmos do Eñe aqui em SP. Os clientes são recepcionados pela cozinha (e que cozinha) e acomodam-se em uma das exclusivíssimas sete mesas do local. Fomos como convidadas (tá, meu bem) então nem chegamos a olhar o cardápio, eles só perguntaram se havia alguma restrição. Eu quase morri pra dizer que eu não comia carne vermelha (vermelha deve ter ficado a minha cara) e me afundei na cadeira quando ele virou pra cozinha e disse: “temos que trocar um prato”. Tipo, quem sou eu pra trocar alguma coisa?!
Abaixo, o desfile de maravilhas…

No lounge, champagne com azeitonas (enormes) temperadinhas

Já na mesa, bolinho de bacalhau crocante por fora e macio por dentro, sem fiapos. Nham!

Salada/ sopa fria de feijão branco, super suave... Acompanhada de pão de azeitonas, um azeite maravilhoso e sal Maldon...

Creme de mandioquinha com sagu negro. Parece estranho mas é bem bom!

Peixe com cogumelos - eu que não curtia cogumelos não deixei sobrar nem uma gota do molho.

Esse foi o prato "trocado", as meninas comeram uma carne e eu, esse peixe (que derretia na boca) com legumes

Pré postre ou pré sobremesa - sorvete de manjericão com frutas silvestres e um fio de azeite com cheiro e sabor de flor! Surto!

A sobremesa propriamente dita: bolinho de chocolate com camadas crocantes e meio amargas, pedaços de frutas, framboesas frescas, creme de manga com baunilha e sorvete de cupuaçu. Ai, ai...

E quando você pensa que não aguenta mais nada, chega esse café cremoso com 3 trufas: macadâmia, crocante e laranja.

Da mesa dava pra ver a cozinha, mas não há fumaça e nem cheiro indo para o salão
Durante a refeição, o garçom ainda veio nos oferecer um vinho branco que recusamos educadamente, nunca fui muito chegada. O chef insistiu, ainda bem: foi o melhor vinho branco que tomei na vida, não tinha sabor de álcool! Tome nota e se achar por aí, me avise: Paso a Paso (uva verdejo da região de La Mancha).
Special Thanks: RV
obs – Não pensem que foi tudo perfeito. No dia em que voltamos do Marrocos, looooucas por uma massa, pedi um simples spaghetti ao sugo num restaurante de bairro em St Andreu. O macarrão chegou mole e mal esquentado (no microondas) com um molho vermelho frio que ainda tinha o formato de uma lata!! “Vergonha alheia desse cozinheiro de uma figa que quer cobrar 8 euros por isso” – disse meu mau humor em bom português para o coitado do garçom constrangido, enquanto eu levantava da mesa. As meninas, que caçavam as bolinhas de carne no spaghetti à bolonhesa (ha-ha-ha) levantaram junto rachando o bico.
obs2 – Todas as fotos do post: Carol Gariani
Sua vez…