E O SHOW FOI TIPO COMO?

31 01 2010

…Colombianoooo!


(video by Lu Playmo)

O sábado prometia e São Pedro entendeu: sem chuva naquele final de tarde para deixar a galera de boa para curtir um show style.

O Espaço Soma já tem aquela pegada bacana que todo mundo conhece. Aí vc olha ao redor e tem Makoto, Lumbriga, Congelado, Kamau, PG,  Melissa, Caio, Pitzan, Bananinha, Valé, Negão, Nathy Vaz, caraaalho, vários amigos! E foi chegando mais, Tiago Rocha comemorando o rap níver, Beraba, Lu Playmo, Marco Grilo, Don Cesão, Marcílio, Shou, Jamés, Nunca, Teod, Érry Jota…  mó bondão do bem… Tinha como ser diferente? A regra aqui é poucos e bons shows. Mas tem que ficar pra história. Um dos recordes de público da casa e a vibe na luuuua!!!

"Então se eu levo a paz comigo eu tô sempre em um bom lugar!"

O show foi intercalando as pedradas com as pauladas… Bonito demais ver todo mundo cantando junto, mesmo naquele flow cabuloso do Shaw!

Shaw e Dj Mako

E a surpresa do final… Lum e Congelado botaram a casa abaixo com a “Dias em Branco” e, quando entrou a primeira nota da “Destruir”… wooow! A casa caiu de vez! Subsolo arregaçou! Foi emocionante…

"Preso à liberdade assim como o vento!" Lumbriga e Congelado possuídos...

"1 pela grana, 2 pelo jogo, 3 pela fama vai, confessa pro meu povo!"

"Porque os mais gananciosos só conquistam metade, é por essas e por outras que eu vou atrás da verdade..."

RT (foda) do Kamau, no twitter: “Shaw, meu parceiro, muita inspiração mesmo de longe pra que eu seja o melhor MC q eu puder. Obrigado pelo show de ontem!”

obs1 – Valeuzaço Edu Filial, Kamau, Lum, Congelado, Mako e todo mundo que ajudou a divulgar e colou! Coisa de louco!
obs2 – Tem som novo do Lumbriga e Congelado aqui ó
obs3 – Em uma semaninha entra no ar o Programa Freestyle Estúdio com Kamau, acompanhe aqui .





7FRAGMENTOS

25 01 2010

Um projeto muito comum para quem está começando a fotografar é o Projeto 365: uma foto por dia durante um ano. Adaptando essa história para a vida moderna de pessoas ocupadas que não querem abandonar nada no meio, criamos o Projeto 7Fragmentos: uma foto por dia durante uma semana (a última de cada mês) com um tema específico.

Três olhares, um tema, sete dias, doze meses.
http://www.flickr.com/photos/7fragmentos/

TEMA DE JANEIRO: CHUVA

Chuva 1/7 - Carla Arakaki

 http://www.flickr.com/photos/cafecombolachas/

Chuva 1/7 - Marcela Ferri

 http://www.flickr.com/photos/m_3_colors/

Chuva 1/7 - Marcello Dezallez

http://www.flickr.com/photos/dezallez





SHAW NO ESPAÇO SOMA

22 01 2010





BÔNUS TRACK: AMSTERDAM

22 01 2010

Ou, o dia em que salvamos uma vida!

Nossa volta de Barcelona para Sampa city via KLM tinha uma pequena escala em Amsterdam… de nada menos do que 11 horas! Não gostamos nada da idéia, afinal, chatíssimo ficar 11h de rolê pela Disney dos adultos, bem na hora da balada.

Amsterdam

Largamos a bagagem de mão nos lockers do aeroporto, compramos a passagem de trem para a cidade e fomos saltitantes para a estação (vazia).

No relógio, 23h.  Na plataforma limpíssima, nós 3, um casal e um silêncio tranquilo, até que surge um mano bem louco pisando torto e gritando alguma coisa enrolada, com a voz meio fade out, sabe, diminuindo?
- “Ih, dando bapho, não sabe se drogar…”
Nem bem terminamos a frase, a voz some.
- “Cadê o cara?” - perguntou Letícia, enquanto procurava na plataforma do lado - “Gente!!! Ele caiu!! O cara caiu na linha!!”
Sim, o cara caiu no buraco dos trilhos. Não é possível, tamanha cabacisse!!
- “Pelo menos o trem dessa linha acabou de passar, vai demorar até…”
Não deu meio segundo, uma luz redonda surge no final do túnel, no melhor estilo Pica Pau: era a porra do trem vindo!!! O motora (como chama motora de trem mesmo?) do trem da linha ao lado deu um pulo na cabine e começou a ligar para alguém, tenso. O casal correu para buscar ajuda. Não deu nem tempo de pensar: Letícia correu até o cara que, num surto de lucidez, jogou os braços pra cima nos ajudando a puxá-lo para cima, cada uma segurando de um lado e a Carol puxando as pernas. E o trem passou. Nosso coração, dis-pa-ra-do. E se não estivéssemos ali?

Nem dois minutos depois, surgem dois policiais loiros com o casal, phynos, pareciam saídos de um filme, juro que os enxerguei entrando em cena em câmera lenta, com cabelos ao vento. Agacharam do lado do infeliz sem tocá-lo, pronunciaram algumas frases (devia ser algo como “o sr. está bem?”) e ali ficaram por muitos minutos, enquanto o cara permanecia imóvel. Eis que nosso trem chegou e nós partimos sem saber o desfecho.

obs1 -  Imagina a mesma cena no metrô de SP… chegam dois policiais chutando o vida loca: ”vagabundo drogado, tá prejudicando o bom andamento das coisas…
obs2 – “Mas vc não fotografou?” foi a pergunta que mais ouvi quando contei essa história, bando de insensíveis.

Laricas, cabelos loiros e bikes

Chegamos com a cidade fervendo. Bikes por todo lado, picos de larica lotados, coffee shops charmosos, bitches na vitrine, Amsterdam acontecendo… Paramos no Bulldog (especificamente este aqui), coffee shop famoso que também é hotel, fabrica seda, energy drink, enfim… O atendente falava português super bem (tinha namorado com uma portuguesa):

- “Se você só pudesse experimentar um tipo, qual seria?”
- “Silver Haze, sente só…”
- “Uia… E cogumelos em formato de chocolate?”
- “Esse foi proibido.”
- “Poxa, que pena, queria levar pro Brasil, de presente…”
- “Por isso foi proibido rs”
A uma da manhã, quase tudo fecha. E eles são pontuais: desligam as luzes, o som, sobem as cadeiras… E grande parte da diversão acaba. Alguns picos de larica mais guerreiros seguem firme no turno noturno. Donuts (essa foto do cabeçalho do blog eu fiz lá),  snickers de chocolate branco (catei vários pro Shaw, que ama esse chocolate), Kit Kat Senses, Kit Kat de chocolate branco, de chocolate meio amargo e outras coisitas mais.

Lolipops...

Duas da manhã e as três felizes, andando a pé pela cidade toda, fotografando mal e porcamente (flash podre da cam, ou seja, sem condições de luz e nem de espírito rs) e passando muito frio (no pique do Marrocos, nem pensamos em blusa)… A moça do mercadinho parecia uma Barbie, tinha polícia em toda parte cuidando, de fato (!), da nossa segurança. Perguntamos para umas 4 pessoas diferentes se era tranquilo ficarmos andando sozinhas por lá àquela hora, todas as resposta iguais: completamente seguro. Como brasileiro é nóia!

Tão lindo... Imagina de dia...

- “Vamos passar na rua das putas gorditas?” – e lá fomos nós…
É estranhíssimo ver aquelas mulheres na vitrine que, aliás, não podem ser fotografadas (fingi que ia fotografar a Le e cliquei rapidinho, tensa, por isso ficou uó). São verdadeiras mercadorias, você passa, escolhe, entra, paga e come.
- “Nossa, essa é gorda mesmo!” comentou Letícia. E não é que a mulher saiu da vitrine para nos xingar? Será que era brasileira?

O povo apreciando a vitrine local...

Momentos depois, três caras fantasiados começam a cantar e tocar para nós… “Why are you singing?” “Just because…” É, malucos não faltavam. Chegou um certo momento que não tinha mais o que fazer. 4h da manhã, friaca, cansaço, tristeza de fim de trip, ansiedade para voltar pra casa e matar as saudades do namo e da family…

Dessa vez tinha acabado mesmo.





PROGRAMA FREESTYLE

17 01 2010

Tá de bobeira? Então ouve aí:

PROGRAMA FREESTYLE COM SHAWLIN (clique aqui)
Carreira, Subsolo, disco novo… E no player, Black Milk, Guilty Simpson, J Dilla… Tá bom pra vc?

Valeu Marcílio!





ALMODÓVAR E SEU “ABRAÇOS PARTIDOS”

17 01 2010

 ABRAÇOS PARTIDOS (Los Abrazos Rotos), 2009, Espanha, dir: Pedro Almodóvar. Na primeira vez em que vi esse filme em cartaz, nem dei bola, crente que era um retorno de ”O Abraço Partido”, aquele filme argentino de 2004. Não era o argentino, mas não deixa de ser um retorno. O combo ‘Almodóvar + Penélope Cruz + dramalhão + cores saturadas’ pode ser incrível – mas será que ainda não cansou? Bom, talvez o fato do diretor deixar um pouco de lado sua paixão pela alma feminina e resolver focar em um interessante personagem masculino, cause certo interesse. O tema é cinema e seu protagonista é o cineasta Mateo. Penélope Cruz é Lena (linda como sempre), aspirante a atriz que se casa com um velho rico que resolve seus problemas financeiros (como a doença do pai) e banca o filme de Mateo (“Garotas e Malas”), já que ela é a atriz principal. É claro que Mateo e Lena se envolvem e desgraças acontecem já que ambos ficam obcecados por ela, bla bla blá. O filme é bacana mas não memorável, e a culpa é certamente a expectativa que Almodóvar cria… É claro que vale conferir.





CASABLANCA

11 01 2010

O nome gera expectativas, afinal, quem nunca assistiu ao clássico dos clássicos dirigido por Michael Curtiz em 1942? Pena que o filme foi inteiramente rodado em Hollywood, ou seja… Não espere nada parecido.

Casablanca (الدار البيضاء) fica na Costa Atlântica e é a maior cidade do Marrocos, maior centro industrial e comercial, possui o maior porto (4.º mais movimentado da África), o maior aeroporto em volume de passageiros (Mohammed V) e a maior mesquita do país (terceira maior do mundo). Tantos “maiores” só podiam resultar nisso: decepção. A cidade é praticamente igual à maioria das grandes cidades ocidentais, modernosa. Prédios altos, trânsito, empresas multinacionais…

Sem o charme das outras cidades... Foto: Carol

De Fez para Casablanca de trem, foram 4h. Já tínhamos pré selecionado um hotel - o Transatlantique - mas quando passamos o endereço para o taxista, ele entortou a cara e fez um sinal estranho, tampando metade da boca. Meia boca? Gente, será que essa expressão existe aqui?
- “Half mouth? What do you mean, man?”
O inglês do cara era praticamente nulo, então ele seguiu firme na mímica, tampando metade da boca.
- “Fun!” – dizia ele.
- “Yeees, fun! Uhu!” – respondemos fazendo mímica para diversão.
- “Nooo!” – e lançou uns folhetos de hotel. “This” – apontava – “Good! Transatlantique no!”
Conversa vai, conversa vem, chegamos à conclusão de que o cara era muito religioso e achava que o hotel que escolhemos era meio style putaria. “O hotel Transatlantique tem um ótimo restaurante internacional, além de um clube noturno com música marroquina e dança do ventre- dizia o guia PubliFolha. Ou então, ele ganha comissão pelos turistas que leva e esse não estava na lista. Mais provável, claro. Ele ofereceu nos levar até o hotel que ele sugeria e, se não curtíssemos, ele nos levava de graça no nosso. Belê.

Casablanca. Foto: Carol

O Diwan Hotel era bem bacana, 4 estrelas a um bom preço (que a Letícia conseguiu pechinchar, claro). Depois de tanto camelar, achamos que merecíamos um bom hotel para fechar a trip. O quarto e o banheiro foram os mais “pans” da viagem e havia um espaço reservado para a reza, com uma seta indicando onde fica Meca e um tapetinho no chão. O restaurante também era maravilhoso, apesar da dificuldade de pedir. Pois é, em um hotel 4 estrelas, somente o cara da recepção falava inglês e o cardápio, só em francês. Ok, a comida bem feita e bem temperada compensou tudo.

Casablanca possui uma das poucas mesquitas no mundo onde não-muçulmanos podem entrar (Hassan II), mas os horários são super restritos e é obrigatório um guia. Além de ser ma-ra-vi-lho-sa, ela possui um minarete de 200m (!) de altura e, se não me engano, é considerado o mais alto templo do mundo. Como os passeios são às 9h, 10h, 11h e 14h e nosso trem chegou às 15h, rodamos. Na verdade, estávamos tão exaustas e amassadas que praticamente não tínhamos pique para mais nada. Fomos para Casablanca muito mais pelo fato do nosso vôo de volta para Barcelona partir de lá.

De noite, a idéia era encher a cara para bebemorar o rolê, mas… no alcohol!
- “Nada mesmo? Nem vinho?” – nem vinho. Ok, brindamos com suco uma das melhores férias das nossas vidas.

Agora era  fechar as malas e partir. E a ficha só caiu quando percebemos que a bela melodia dos chamados diários para a oração foram substituídos pelo barulho de carros e ônibus. Casablanca realmente era outra parada.

Grand táxi a caminho do aeroporto. Lá atrás, Dell, Oracle... Foto: Letícia

Marrocos virou parte de mim. Um sentimento egoísta, de querer guardar o país dentro da mala e colocar na minha casa… De querer ler o Corão inteiro e ser amiga de to-dos os marroquinos. De querer aprender árabe, ter uma casa azul em Chaouen e ficar mais para conhecer Merzouga, Rabat, Meknés, Essaouira, Tânger, Volubilis, Agadir, El-Jadida…

O país é cativante e já tem uma porção de casas de atores hollywoodianos, principalmente em Marrakesh. Como lá é o lugar que mais bomba disparado, é bom ficar esperto pois, apesar da grande maioria ser extremamente receptiva, sempre tem os espertos querendo ganhar um extra do turista. Fotografou o macaco? Pagou. Fotografou a criança? Pagou. Fora de Marrakesh, o mercenarismo não é tão feroz e as pessoas são mais relax (também, imagina que saco um monte de nego cor de rosa te fotografando como atração turística).

Mesmo em Marrakesh, ele deixou eu fazer um retrato dele na simpatia...

Se for visitar, é bacana evitar o verão, pois o calor não deixa as pessoas saírem do hotel antes das 16h. Só consumir água mineral (bebidas geladas mas sem pedras de gelo, exceto no Mc Donald’s) e pechinchar sempre, sem vergonha (vira um vício… um problema na volta!). Respeitar a cultura alheia e prestar atenção na roupa que você sai (dependendo do lugar), além de evitar comer na frente deles em época de ramadã é o mínimo.

Em tempo: 1 Dirham = 0,22 Reais.

Tiozinhos simpáticos de Ait Benhaddou.

É engraçado que, mesmo com tantos posts sobre a viagem, parece que ainda tenho muito para contar. Lembro de cenas como a de alguns caras torcendo o pescoço para olhar para uma mulher marroquina com somente o rosto descoberto, ao invés de olhar para um grupo de gringas loiras que passava do outro lado da rua com suas micro saias, provando que a sensualidade passa longe da vulgaridade.

Irônico também foi saber que, lá nos fundamentos do Islamismo, a mulher e o homem são iguais perante Alá. A primeira esposa de Maomé foi uma rica comerciante, mais velha do que ele, e a primeira pessoa a se converter à religião pregada pelo seu marido. Sumemo, o primeiro muçulmano do mundo foi uma mulher. Depois ela morreu, Maomé se casou com outras mulheres sendo Aisha (que se casou aos 9!!), a mais inteligente e respeitada. Quando ele morreu, ela tinha 18 anos e, apesar do Corão estar escrito, muitas dúvidas em relação à conduta ainda surgiam constantemente. Ela virou uma das pessoas mais consultadas quando essas dúvidas surgiam e, juntamente com as pessoas próximas ao profeta, compilaram tudo em Hadiths (uma espécie de guia para os fiéis). Ou seja, a palavra de uma mulher contribuiu para os fundamentos do Islã. Como isso se perdeu? Não dá para contar a história toda aqui, mas em suma, dois caras que não gostavam de Aisha inventaram algumas palavras supostamente ditas por Maomé (“mulheres, cães e jumentos atrapalham a oração” e “aqueles que confiam seus negócios a uma mulher nunca conhecerão a prosperidade”) e eles acabaram tendo mais credibilidade por causa de algumas decisões equivocadas de Aisha.

Nos labirintos de Fez.

Sim, viajar é aprendizado intenso e constante. A vontade de congelar cada momento se transformou em milhares de fotos, filminhos, cds de samples (ops!) músicas árabes, novos amigos e velhas amizades reforçadas.

Saldo final: zero brigas durante a trip inteira! Loviú girls!

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Ah, e a cereja do bolo: nosso rolê saiu na Revista TPM Ed. 94, edição especial de verão – dez/jan, que ainda está nas bancas (Texto e fotos: Carla Arakaki). De quebra, o primeiro ensaio com os funcionários da Trip!
Special thanks: Carol Sganzerla e Rê Leão!

TPM #94





CHEFCHAOUEN

2 01 2010

Uma cidade toda azul, conhecida por ser o maior centro produtor de kif (maconha) do Marrocos. Interessante?

Estou apaixonada pela cidade até agora... E as parreiras na parte de cima?

Como Chefchaouen (الشاون‎) era a somente 4 horas de busão de Fez, resolvemos fazer um bate e volta para não termos que viajar de novo com as malas que estavam cada vez mais pesadas. Quando compramos a passagem de ida já queríamos garantir a volta, mas o moço nos disse que não era possível. Estranho…

O ônibus era limpo, novo e confortável. Estava bem vazio e cada uma pegou duas poltronas. E lá fomos nós, em direção ao extremo norte do Marrocos. Depois de umas 2h30 de viagem, resolvi ir ao banheiro. Segui até a parte traseira e abri a portinha que tinha ali. Tensão! Era somente um depósito de cobertores e travesseiros de viagem! Putz, não tinha banheiro no busão… Fui direto na Letícia, já que a Carol tem uma bexiga com reservatório.
- “Le, não tem banheiro.”
- “Não? Puuuuutz, eu estou super apertada!
E lá fomos nós tentar a comunicação com o motora que, é claro, não entendia inglês nem espanhol. Um pouco de mímica foi suficiente para ele entender e encostar no primeiro posto que apareceu.
- “Ih tá tudo fechado!” – comentei, quando olhei o motora seguindo com convicção em direção à porta fechada com cadeiras da loja de conveniência apagada.
- “Ué, aonde ele vai?
E não é que o cara arrombou a porta? Metade do busão aproveitou e foi no banheiro modelo buraco no chão.

Um menino da nossa idade com cara de turista nos viu conversando e puxou assunto com aquela primeira frase básica: “Where are you from?”"Brasil! And you?” “I’m from Chefchaouen!”. Surpresa! Um loiro com pinta de turista era marroquino de Chefchaouen, colocando por água abaixo o estereótipo que conhecíamos até agora. Youssef  já tinha estudado nos EUA por algum tempo então falava bem o inglês e o espanhol (Chaouen fica na parte colonizada pelos espanhóis). Inundamos ele de perguntas sobre Islamismo, costumes, regras, extremismo, sobre o rei Mohammed VI, política interna, sobre mulheres e suas conquistas, burcas, sobre o dia a dia dos jovens, baladas, sobre as pedras de pé que vimos no meio do caminho (eram cemitérios, como imaginávamos), sobre cada cidade que fomos e claro, sobre Chaouen e a plantação de kif (maconha).

Saída da rodoviária. Caótica como a Tietê né...

Descemos do ônibus, Youssef seguiu seu caminho (o irmão mais velho dele foi buscá-lo - tinha cara árabe típica, de bigodon e tudo) e nós fomos para a cidade de petit táxi (que aliás, demorou para passar nesse lugar “movimentado” da foto). Estava meio nublado, friozinho mesmo, pois a cidade fica no meio de montanhas. De longe dá para ver as casinhas azuis, lindas, mas nem sinal das enormes plantações de kif (lá o cultivo é permitido, mas comercializar, consumir ou mesmo portar é proibido, então não é muito indicado passar por lá). O Youssef tinha comentado que elas ficam depois das montanhas e que, provavelmente em 2010, o governo deveria acabar com elas.

Seguimos até uma pracinha fofa (Outta Hamman) com um pinheiro enorme no meio, chão de pedra e uma vibe agradabilíssima. Era saída da mesquita, então a praça estava cheia de velhinhos de túnica, capuz pontudo e longas barbas, além de mulheres cobertas e crianças brincando. Do lado da Grande Mesquita (esse minarete era octogonal), uma belíssima casbá. Às vezes o sol dava as caras como que para dar um brilho extra pra cidade. Encantador.

Charmosa... Adoraria ter uma casinha azul em Chaouen...

Sentamos num restaurante e pedimos um kebab de frango temperadíssimo com cebolas e pimentão, batata frita, um pãozinho (era francês, até que enfim!) com azeitonas apimentadas e coca-cola. Perfeito! Nosso penúltimo dia no Marrocos estava sendo incrivelmente agradável!

Tipo... Guardanapos temáticos?

- “Maaaaano!” - quase engasguei – “Não compramos a passagem de volta!!”
- “PQP!”

Terminamos de comer e resolvemos não arriscar – pegamos o petit táxi e fomos até a rodoviária comprar antecipado.

- “Antecipado? Amanhã acaba o ramadã!! Não tem mais passagem nenhuma pra Fez até segunda-feira!” (era sexta) – exclamou o atendente em espanhol.

Estiquei o olho para ver o controle do moço: era um caderno velho com tudo escrito à mão!!! Por isso que não dava para comprar a volta de Fez! “Nossa, vou doar meu pc velho para eles, coitados!” – pensei. Quando vi a cara da Carol e da Le, comecei a me tocar que era grave.
- “Tem para outro lugar?”

- “Hoje, só Tanger daqui a meia hora”

Não!! Além de ser arriscado ir para Tânger e pegar um trem ou busão de lá, acabamos de chegar na cidade, não teria sentido ir embora já! Ficar em Chaouen e ir embora no dia seguinte seria prejuízo demais, pois estávamos pagando o hotel de Fez, teríamos que pagar um ali e ainda perder o trem para Casablanca que sairia de manhã. Olhamos ao redor e não tinha outra companhia, outro guichê, nem outra pessoa para perguntar nada! Será que ligamos para o Youssef para pedir alguma dica? Sacanagem, o cara tá com a família e nem conhece a gente. Recorremos ao taxista que nos aguardava – o que ele sugeriria?
- “Tenho um amigo que tem grand taxi, posso ver quanto ele cobraria.”

Por lá, somente os grand táxis têm direito de circular fora das cidades. Fez algumas ligações e voltou com um preço: 800 dirhams.
- “Aaaaafe, 400 dh!”
- “Não, 800 dirhams é o preço final. Ele tem que ir para Fez e voltar”
.
Tentamos negociar com outros grand taxis no caminho e eles pediam de 1000 dh pra cima. Não tivemos alternativa. Assumimos o prejuízo e marcamos às 20h30 na pracinha. Só nos restava torcer para o cara não nos dar o bolo. Lembrei daquele famoso palíndromo (frase/palavra que pode ser lida da esquerda para a direita e vice versa): “socorram me subi no onibus em marrocos“. Ok, o jeito é curtir a cidade.

Azul, azul e azul pra quebrar... Foto: Letícia

O lugar é tão lindo e calmo que é como se a cor azul de todas as casinhas tivessem algum efeito. Os locais eram bem simpáticos e tentavam puxar alguma conversa, seja perguntando de onde éramos, se precisávamos de guia (nessa micro cidade?) e, claro, bem mais discretamente ”Chocolate or kif?” (haxixe ou maconha – ambos de cor bem clara). Crianças brincando pelas ruas, marroquinos muito bem vestidos (vimos mulheres de túnica chanel, bolsas de marca, homens elegantes com gelzinho no cabelo, pareceu ser uma cidade mais rica), alguns hippies provavelmente atraídos pelas plantações e muitos gatinhos (animais). Turistas fumando um em restaurantes é bem comum (ué?), em compensação polícia, não vi nenhuma. Caminhamos pelas montanhas até quase o topo, de onde dava para ver a cidade toda, vista arrasa quarteirões mesmo…

A vista das montanhas...

Às 20h30 em ponto, vimos o grand táxi estacionando no local combinado. Os marroquinos são mesmo o máximo! Exaustas, fomos ouvindo música árabe e a conversa do amigo do taxista (para voltar fazendo companhia ao motora) durante quase 4h… Em Fez, o cara não sabia como chegar ao nosso hotel e, claro, muito menos nós.  Perguntou a um cara na rua e, para nossa surpresa, após algumas palavras em árabe, ele pulou para dentro do carro! Cena bizarra! Três manos enormes esmagadinhos na frente e nós três rachando o bico atrás. Chegamos direitinho e os 3 seguiram de volta. Provavelmente o motora ofereceu uma carona em troca da informação, coisa fofa que só poderia acontecer lá…

Podres e tristes com a sensação de “está acabando”, a noite foi estranha… Acordei na madruga ouvindo o agradável e melodioso chamado da mesquita para a última refeição e reza antes do sol nascer: “Allah hu Akbar” (Allah é grande). Coração apertado… Agora era Casablanca e fim.





TOKYO!

2 01 2010

TOKYO! - 2008, França, Japão, Alemanha e Coréia do Sul, dir: Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho. Só tinha uma sessão em uma sala de cinema (HSBC Belas Artes), mas finalmente consegui assistir! Tokyo é um longa dividido em 3 curtas, cada um dirigido por um diretor – curiosamente, somente “não japoneses”.  Assim, apesar do tema ser Japão, a boa é não esperar a insanidade oriental de costume. Nesse caso, foi mais para o bizarro mesmo.

“Interior Design”, dirigido por Michel Gondry (do maravilhoso “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança“), conta a história de um casal japa que foi morar em Tóquio, inicialmente hospedado por uma amiga. Com o tempo, o cara começa a ter algum avanço (mesmo que estranho) na área dele (cinema) e consegue um trabalho como empacotador de caixas em uma loja. Já ela, além de não ter sido contratada nem para isso, começa a sentir-se progressivamente mais e mais inútil. De repente, bam! Ela vira uma cadeira e sente-se um pouco mais útil. E feliz, pasmem! Eu disse que era bizarro. Vi em algum lugar que essa história é baseada num quadrinho de Gabrielle Bell, mudando somente a localização das personagens (inicialmente NY).

Se você achou esse primeiro curta bizarro, espere até ver este. “Merde”, de Leos Carax (nunca tinha visto nada dele até então), é sobre um ser nojento (estilo um leprechaun, aqueles anões irlandeses de roupa verde) que vive no esgoto de Tóquio e sai de vez em quando só para aterrorizar a galera. Empurra, joga cinzas, roube e come dinheiro, esse tipo de coisa boba e de mau gosto. Um dia, ele encontra uma caixa de granadas da época da Segunda Guerra e, aí sim, causa um massacre nas ruas. Irritantemente besta, mas o terceiro curta definitivamente salvou o filme.

“Shaking Tokyo”, do chinês Bong Joo-Hoo (O Hospedeiro), é o mais belo de todos e já vale o filme, tanto pela história e fotografia, como pela forma em que ela é contada, cheia de pequenos detalhes cativantes. Os Hikikomoris são aqueles eremitas japas que não saem dos seus apartamentos para nada. Numa casa/ vida toda planejadinha para viver o resto dos seus dias assim (com a grana enviada pelo pai), o mano do filme (não lembro se o nome dele foi citado) tem que lidar, no máximo, com os entregadores de comida, com quem não faz nenhum tipo de contato visual. Um belo dia, ele não resiste a uma cinta liga (ô clichê japa) e olha para a entregadora de pizza. No mesmo momento, um pequeno terremoto faz com que ela desmaie e ele seja obrigado a se comunicar com ela, mesmo que rapidamente. Isso basta para ele ficar fissurado pela garota e descobrir que ela também tornou-se uma hikikomori. E agora, como um eremita encontra outro? Definitivamente veio do coreano o olhar mais interessante sobre o Japão.





MINHA DIANA

20 12 2009
Depois de longos dias de espera, minha encomenda colorida chegou!!

Eu sei, ela é linda...

Mesmo num mundo digital como o de hoje, o analógico continua tendo seu espaço garantido (especialmente no meu coração rs), tanto no áudio (como já falei aqui) quanto na fotografia. A Diana é uma camerinha simplésima de plástico que surgiu em Hong Kong (The Great Wall Plastics Factory) nos anos 60 para ser vendida a um dólar. Acabou descontinuada na década seguinte devido ao seu fracasso retumbante. Com o tempo, esse efeitinho saturado com cara de antigo conquistou muitos adeptos pelo mundo inteiro, fazendo com que as fábricas voltassem a produzi-las. Outras marcas também fabricam esses objetos viciantemente colecionáveis: quem nunca ouviu falar da Holga ou da Lomo?

A parada é que além do efeito ser lindo, ela é ótima para aprender os princípios da fotografia já que é muito fácil de entender, nessa câmera, como funciona a abertura do diafragma, a velocidade do disparo e outros detalhezinhos que vão fazer a diferença na hora do click. A imprecisão do que você está vendo pelo visor e dos detalhes técnicos produzem um fascínio e uma ansiedade monstra para ver as fotos reveladas. E se você retirar a lente, dá para fazer até pinhole!!

Já comprei meus rolinhos de filme 120 e estou ansiosíssima para estrear… Em breve, mostro os resultados aqui – o díficil vai ser esperar os 12 clicks para revelar.

(A D90 tá morrendo de ciúmes, mas ela ainda é a número 1)





FEZ

14 12 2009

O trem para Fez (فاس‎) saía às 9h45, tempo exato de comprarmos umas cocas, café e um sanduíche murcho do dia anterior no único café da estação que abria “cedo”: 9h30. Seriam 7h de trem sem ar condicionado, como minha pressão já é naturalmente baixa, achei melhor prevenir: “Do you have salt?” “Sauce?” “Noo, salt!” “Oh, ok!” E me deu um catchup e uma mostarda.

Estação de trem (se não me engano, em Meknés). Foto: Letícia

O trem de lá, além de pontual, barato e eficiente meio de transporte, é uma graça: amarelo e vermelho meio retrô, com poltronas de couro marrom… E vazio, cada uma pegou duas poltronas para deitar! Quente, quente, todos procuravam o ventinho que entrava pelas janelas. Um detalhe meio irritante é que grande parte dos caras por lá gostam de ouvir música árabe no celular SEM FONE. Pensa naquela música agudíssima, mesmo bpm, mesma bateria por horas… Solução óbvia… I pod. Agradeci muito a mim mesma por ter comprado aquele fonezinho Sennheiser em Barcelona. Conforme as horas e as estações de cada cidade passavam, o trem ia enchendo e a quantidade de turistas, diminuindo consideravelmente. Quando finalmente chegamos ao nosso destino, o trem estava tipo o metrô de Sampa: muita gente de pé se esmagando, ninguém esperava as pessoas saírem para depois entrar… Dois caras discutiram na porta, será que era o jejum do Ramadã que estava deixando as pessoas mau humoradas assim? Como a galera tava olhando muito para nós, achamos melhor cobrir pelo menos os ombros. Respeito pela cultura alheia é bom e todos gostam.

Com um pouco de custo, pegamos um petit táxi para nos levar ao hotel (Fes Inn, tem até bar e piscina!). O hotel é um pouco afastado mas o preço do táxi equivalia a uma passagem de circular (diferente de Marrakesh, aqui o taxímetro valia). A cidade não parecia ser muito bonita à primeira vista, meio pobrinha, descobrimos então que havia a parte nova e a antiga.

Fez e os petit taxis. Não é tão bela... Foto: Carol

A cidade é a terceira maior do Marrocos, depois de Casablanca (a mais ocidental de todas) e Rabat (a capital do país), e a mais antiga das cidades imperiais. É conhecida por ser a cidade islâmica mais completa do mundo árabe além de centro religioso e cultural. Lá existem duas medinas, sendo uma delas (Fez el-Bali) tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

Fez el-Bali

Agendamos um guia para o dia seguinte já que lá predomina o árabe e o francês e comemos um spaghetti ao molho sugo incrível no hotel (já não aguentávamos mais o sabor do curry). Fomos também até uma telebutique dar notícias de vida. Telefonar para o Brasil é bem mais caro no Marrocos do que na Europa, decidimos nos comunicar por email. Detalhe: eu sempre pegava um computador podre com o teclado apagado e, para completar, as letras ficavam em lugares diferentes do nosso teclado. Praticamente catando milho, cheguei ao cúmulo de ter que copiar e colar letras!!

No dia seguinte tomamos o café da manhã simpático do hotel (o velho amigo pão árabe, o também conhecido croissant – igual ao que levamos para o deserto, panquecas, mel, suco de laranja e ovo mexido: nada de frutas ou frios) e fomos para a medina mais bacana: Fez el-Bali. Cheia de ruelas (algumas tinham meio metro de largura, juro!), às vezes meio escuras, parecia um labirinto. Ainda bem que pegamos um guia, sozinhas seria praticamente impossível… Comprar não foi tão difícil pois essa arte é bem conhecida internacionalmente: aponta aqui, mostra a calculadora com valor, eu mostro meu preço na mesma calculadora e assim vai… “oh, thank you, chuckran, merci, gracias, arigatô, valeu!”

Vai um frango?

Finalmente nos deparamos com carne e cérebro de camelo à venda (quando fotografei, o vendedor falou algumas palavras em árabe e fez cara feia tampando a mercadoria). Galinhas, perus, escargots, gordura animal, era o souk das carnes.

Céééérebro de cameeeeelo! Brrrr!

Passamos depois pelo souk de especiarias, de sedas, paramos numa tecelagem maravilhosa (vários lenços adquiridos), fomos até a imponente medersa Bouanania (construída no séc 14 pelo sultão Abou Inan, acusado de ter mais interesse em sexo e assassinatos do que religião) e, finalmente, para o famoso curtume. Na entrada ganhamos um maço de hortelã para amenizar o cheiro, mas eu esperava algo tão ruim que quando cheguei lá não achei tão insuportável.

Levemente fedorento, o famoso curtume!

Escola Corânica. Foto: Carol Gariani

Vimos poucos turistas (talvez por ser baixa temporada) e muitos marroquinos seguindo seu dia a dia, fazendo compras de alimentos, roupas. É super comum ver dois caras de mãos dadas. Dar 4 beijinhos no rosto então, é default (digo homem com homem, não vi nenhuma mulher se cumprimentando). Como era a última semana do Ramadã, as crianças estavam super maquiadas e enfeitadas, com henna nas mãos e roupas especiais.

Toda enfeitada para o final do ramadã! Nhoc!

Na hora de acertar com o guia (oficial, solicitado no hotel), o furo nos zóio:
- “well, 250 dirhams!”
- “No, our deal was 150 dirhams for 3 hours!”
- “we passed half an hour!”
- “af, take it” -
e põe no… bom deixa quieto, o rolê foi demais…

Fomos ao Mc Donalds pois ainda estávamos com um leve bode de curry. De diferente, tinha dois modelos de  Mc Arabia (um com berinjela e outro de tahine, estranhaço), um tal de Mc Gambas (hamburguer de camarão) e uma batata frita super picante deliciosa. Comi uma salada (sabor plástico) pois estava no desespero de comer alguma folha ou legumes, a batata super picante e nosso conhecido Mc Chicken.  De sobremesa, Mc Flurry de Kit Kat.

Acho que esse Mc Arabia de berinjela não vai pegar no Brasa...

Na saída, tentamos pegar um táxi, mas mais de meia hora e nada: ou estavam cheios ou simplesmente passavam reto. Um detalhe engraçado é que eles podem pegar outros passageiros mesmo já tendo alguém no carro. Tentamos mudar de cruzamento e nada. Um taxista repetiu várias vezes para nós uma palavra que tentei decorar, mas como minha memória é… eu esqueci. Seria porque estava perto do horário do desjejum? Seria porque somos mulheres? Ou porque somos turistas? Ou porque não foram com nossa cara? Nunca vou saber porque ninguém nos queria como passageiras. Finalmente, um simpático marroquino nos ajudou mesmo não entendendo patavina de inglês ou espanhol. E viva a educação! E a mimíca!

De noite, drinks no hotel: nossa primeira bebida alcoólica no Marrocos. Cheers! A viagem estava no fim mas o dia seguinte estava sendo ansiosamente aguardado: Chefchaouen!! A cidade azul!





ATRAVESSAMOS O DESERTO DO SAHARA

3 12 2009

Ou quase isso…

Por causa do Ramadã, tudo abria mais tarde (lá pelas 11h) então o café da manhã foi croissant puro e água que compramos no dia anterior.  A van partiu às 7h30 de Marrakesh com mais umas 7 pessoas. Na bolsa, protetor solar, óculos escuros, blusa de frio e câmera. 

Saindo de Marrakesh, longo caminho cheio de paisagens bem diferentes… Construções mal acabadas, cactos, partes desertas, rios… Fez sol, choveu, fez frio, depois calor de novo… E come estrada…

Paisagens incríveis

Parece cenário de "À Prova de Tudo"

Perto da hora do almoço paramos em AIT BENHADDOU (آيت بن حدّو), uma cidadezinha fortificada, antiga parada de caravanas a caminho do Sahara. Toda cor de terra, como Marrakesh, foi cenário de filmes como “Gladiador”, “A Múmia” e “Babel“. Finalmente vi um cãozinho bege numa sombra, quase se misturando com o cenário. Um pouco mais adiante, almoçamos em OUARZAZATE (ورزازات ) ao lado do “Ouarzazate Cinema Museum”.

Ait Benhaddou

Explorando tuuudo, fotografando tuuudo... Foto: Carol Gariani

Kebab de Frango em Ouarzazate

Mais estrada. A agonia que senti assistindo “Babel” naquele começo onde o busão anda, anda, anda (antes da mulher ser atingida) era real… Eram quase 18h quando finalmente chegamos em ZAGORA ( زكورة) – a porta do deserto. Quadrados. Um mano veio nos avisar que precisávamos comprar água e nos proteger do vento e da areia, amarrando lenços nas nossas cabeças no style berbere. Aí, momento camelo. Um a um sentava e o bicho subia igual a um desenho animado. E andava desengonçadamente, da forma mais desconfortável possível. Se você travasse a coluna, era pior porque doía o dobro. Olhei ao redor e parecia que só eu tava sendo fresca, resolvi desencanar, bem na hora em que os berberes que nos conduziam pararam para o desjejum, umas 18h30. Coisa de dez minutos, tempo suficiente para a escrota da espanhola que tava conosco fumar um cigarro e jogar a bituca ali mesmo, sem cerimônia. Aff.

Se liga no desconforto do camelo 2.0. Foto: Letícia

Mais umas duas horinhas de camelo e já estava tudo um breu, demorou para os olhos acostumarem. Lá longe, avistamos um quadradinho iluminado, nosso destino.

A barraca era de tamanho médio, tinha um monte de colchonetes empilhados de um lado, cobertores, duas mesas redondas baixas com toalhas vermelhas (duras e no formato da mesa de tanto tempo que não devem ter sido tiradas para lavar) e um lampião, lamparina, sei lá. Olhamos ao redor e era isso. Ninguém citou banheiros, então deduzimos que a duna mais próxima…
Gel antisséptico, pelamor. Os berberes chegaram com chá de menta para todo mundo. Enquanto um servia (bule alto para formar espuma), o outro preparava o tabaco com haxixe (beeem comum por lá). Várias línguas misturadas na tentativa de um papo coletivo.
- “In Brazil, we have a music about Sahara!” - Letícia tentava se comunicar com o berbere.
- “Music? After dinner! After dinner!” – ele respondia cheio de sotaque.
“Nooo, en Brazil, tenemos una musica sobre el Sahara!” - ela insistia, dessa vez em espanhol.
- “Si, si, after dinner!!”
-
Nooooo…”
- “Le, desencana, mano!
Todo mundo roxo de fome, chegaram os tais pãezinhos árabes de sempre com uma sopa uó. Repito, u-ó. Imagina água quente com maizena para engrossar. Aprendemos a falar sal em todas as línguas mas ninguém tinha. “Oooooooooooo” – exclamou o berbere decepcionado ao ver que ninguém tocou na sopa. Será que é isso que eles tomam no desjejeum? Oh God! Digo, ô Allah! A esta altura, o pão estava delicioso. 
E para felicidade geral, um lindo tahine de legumes com frango chega à mesa com alguns garfos. Olhamos pro lado enquanto aguardávamos os pratos, e percebemos que era isso mesmo: sem pratos, sem guardanapos, sem facas.. Todo mundo junto e misturado, gripe suína passou longe dali. Ok, desapego, pelo menos tinha garfo. 

A sopa "saborosa"... e o tahine comunitário. Depois, um ano sem olhar pra abobrinha.

Bom, after dinner, os caras chegaram com uns galões para batucar e começaram a cantarolar várias músicas bereberes. Alucinante! Dava vontade de samplear tudo, lembrei daquele gravadorzinho portátil  estéreo que vi numa AES da vida… Depois foi a vez de cada um cantar música de seu país. Óbvio, nós três nos realizamos cantando com todos os pulmões “Atravessamos o deserto do saaraaaaa, o sol estava quente e queimou a nossa caraaaaaaaa“, mas não fizemos tanto sucesso quanto eu esperava. Os espanhóis chatos não quiseram cantar (tá com vergonhinha?) e os italianos se empolgaram conosco. Aí, lá vai Letícia de novo:
- “I know a italian song, I know!!
Todos olham e aguardam. Ela não se intimda:
- “Sempre um corneeeeettooooo, és piu crocaaaanteeeee, é da gelattoooooo!” – com solfejos e tudo
- “Gata, isso é sole mio“ - sussurrou Carol
Os italianos fizeram cara de interrogação e os berberes voltaram a cantar e dançar.

Música e dança berbere. Demais!

Ao sair da barraca, um céu cha-pa-do de estrelas nos cobria. Eu e um basco com sua Canon tentamos clicar, mas sem tripé no way. Olhei, olhei, olhei, até ter certeza de que nunca esqueceria aquele momento. Ventava muito, mas uma blusa dava conta. A tal inversão térmica forte mesmo deve rolar mais nos confins do deserto. 
Lencinhos umedecidos fizeram nosso banho de gato, água mineral para escovar os dentes. Eu não sou do tipo que acampa, sempre aloprei as pessoas chamando de pé sujo e lá estava eu, dormindo com o pé sujo. Mas o da Letícia e da Carol estavam beeem mais sujos (#prontofalei). Podres e ainda quadradas, limpamos nossos colchonetes (cheios de areia) e deitamos num esquema meio tetris. Não sem antes dar uma última olhada pro céu e agradecer muito a Deus (Allah?).

 Fui a primeira a acordar, pensando que todos iriam querer ir ao “banheiro” ao mesmo tempo. Ao sair da barraca, bam!! Surpresa! Sundance! O sol nascendo lindoooooooooooo, toda aquela areia ao redor, todas aquelas cores! Me agilizei e peguei a câmera acordando as minas: “acordeeem, vocês não têm noção!” Respirei fundo. O silêncio monstro misturado com aquela imensidão me paralisou. PQP. Bem disse Paul Bowles. O tal céu que nos protege e nos esmaga.

O silêncio é uma dádiva

Berberes

O café da manhã era pão árabe (uhu, novidade), queijinho “la vaca que ri” e melado. Com chá de menta, claro. Os copinhos com digitais me deram a sensação de “já te vi ontem”, afinal… como eles lavam a louça? (Imaginei a Jéssica surtando, amiga que não come perto de pombos nem deixa uma comida se misturar a outra no prato. Sempre que cozinho perto dela fico tensa pensando se estou sendo suficientemente higiênica). Forças recuperadas, tudo de novo pra volta. Mas com um sorriso de uma orelha a outra, recompensador.

Na chegada a Marrakesh, vimos um cinema. “Maaano, A Hora do Rush 2  que atual!” O maninho que divulgava se ligou na nossa (rachando o bico) e gritou “Fuck You!“. No mau humor que estávamos, sem banho e sem cama, mandei um dedo belíssimo pra ele - fuck you universal – que ficou puto. Puto. Fomos direto a um hamman (famosos banhos esfoliantes com massagens que os muçulmanos utilizam – de vez em quando, creio eu - antes de ir a mesquita). Mortas, compramos uns espetinhos de camarão com suco de laranja na Djeema El Fna e cama. A vantagem de não ter nada pré marcado, é a liberdade de roteiro: resolvemos desencanar de  ir a Essaouira no dia seguinte, uma cidade portuária teoricamente imperdível (rs) para descansar em Marrakesh, pois o destino seguinte (Fez) prometia.





BON APPETIT!

30 11 2009

Shaw: “Caraio Cá, só tem tiazinha aqui, que filme vamos ver?”
Carla: “Ai, não me mata…”

 JULIE & JULIA, 2009, EUA, dir: Nora Ephron. São duas histórias reais acontecidas em tempos diferentes, muito bem entrelaçadas pela diretora. Julia Child é autora da bíblia culinária para americanos “Mastering the Art of French Cooking” e viveu entre 1912 e 2004. Já Julie Powell é uma blogueira que ficou famosa justamente por criar um desafio para si mesma: fazer todas as 524 receitas do livro de Julia em 365 dias e contar tudo no blog (isso rolou em 2003 e o blog virou livro: “Julie & Julia“). O filme é simplesmente adorável mesmo para quem não curte cozinhar, afinal, comer é consenso geral. E no final, até o Shaw achou simpático (depois de eu prometer que o próximo filme ele escolhe).





DENTE DE LEITE

27 11 2009

“One day, a milk toof knocked on my door and said ‘hello’ “

Da série “Eu queria ter feito”: My Milk Toof. Além de ser muito bem fotografado, a produção é linda! O cenário é o máximo, as histórias são simples e fofas e dá vontade de comer os protagonistas.

Maybe you guys should stay indoors for a while, okay? "okay"

"Brrr cold!"

"uau, listen to this beat!"

"Trick or Treat"





MARRAKESH

22 11 2009

Do avião (Vueling , uma dessas empresas aéreas de low cost) dava para ver enormes plantações de laranja e tâmaras, construções cor de terra, pedaços completamente desertos. Mal conseguíamos nos aguentar sentadas de tanta ansiedade. Descemos no aeroporto de Marrakesh sem saber mais do que duas palavras em árabe, sem reserva em hotel, sem noção do que nos aguardava. Não tínhamos nada muito planejado a não ser o bilhete de volta, saindo de Casablanca para a Espanha novamente. 
Um busão nos levou ao centro da cidade (nem meia hora de distância). Eram 11h da manhã e o sol fritava. Com uma mala enorme nas costas (deixamos metade em Barcelona) e um guia na mão, começamos a perguntar – em inglês – onde ficava a famosa Praça Djeema El Fna.

Marrakesh

Mal sabíamos pronunciar esse nome mas foi fácil, muita gente entendia inglês e indicou certinho. Achamos meio estranho, mas as mulheres mais cobertas nos evitavam. Eu tinha pesquisado na net uns riads fofos e marcado o “Sherazade” como tentativa número um. Riads são ex palacetes que viraram acomodações bem fofas, onde todos os quartos são diferentes e dão para um pátio/ jardim interno. Deu certo, sorte que estávamos na baixa temporada… O quarto era uma graça, mas não tinha frigobar nem tv e eu estava bem curiosa para conhecer a programação deles. Jogamos as malas no quarto, trocamos a calça jeans e tênis por roupas mais leves e fomos ver a cidade.

O terraço do nosso riad, onde rola o café da manhã.

Marrakesh é um destino bem turístico, soube que vários atores gringos tem casa por lá e, em dezembro, há um badalado festival de cinema. Por onde andávamos, os sorridentes marroquinos nos perguntavam de onde vínhamos (“Brasil? Oooo Kaká!” – É, Ronaldos já eram), se apresentavam, queriam fazer amizade.
Quero comer em um restaurante beeem típico” – disse Letícia, empolgada.  Minha primeira refeição foi um lindo couscous marroquino com frango e legumes, coca-cola gelada (mas sem gelo) e pão. Tudo lá vem acompanhado de pão árabe. 

De-lí-cia!

Ficar ao redor da Praça Djeema El Fna é estar bem localizado. Tudo é muito perto. Fomos caminhar pelo souk Smarine, que são mercados e lojinhas de ruas. Especiarias, tapetes, lenços, cosméticos, luminárias, narguilés, babouches, um mundo colorido, cheiroso, fascinante (agora entendo por que o Saara no Rio tem esse nome, me lembrei muito da 25 de Março). Tudo lá deve ser pechinchado, sem vergonha (até táxi, que é baratíssimo).

Especiarias no souk

"Rali bezzaf..." ("muito caro")

Eles colocam valores meio absurdos para chegarmos a quase um terço do preço. Muitos são tão invasivos que chegam a pegar no braço para mostrar as incríveis mercadorias de sua loja. Um pouco irritante. Eles ficam arrasados quando você negocia muito e acaba não levando, inclusive acreditam que, se perderem a primeira compra do dia, vão ter um péssimo dia de negócios.

"Twenty Dirhams!" "No, no, are you crazy? Ten Dirhams! Ten!"

Passamos pela lindíssima mesquita Kotoubia que tem um minarete de 70m (torre com alto-falantes que chamam para rezar as cinco vezes ao dia) e serviu de modelo para o estilo marroquino de minaretes: quadrado, com três esferas em seu topo. Segundo a lenda, essas esferas foram feitas com as jóias derretidas de uma das mulheres do sultão el-Mansour, como castigo por ter quebrado o Ramadã comendo três uvas.     

Mesquita Kotoubia.

Calculamos as 3 horas de diferença de lá para o Brasil e procuramos uma teleboutique para ligar para maridos e pais e avisar que estávamos bem, ninguém havia nos trocado por camelos, ainda.   

Na praça Djeema El-Fna, encantador de cobra...

O céu já começou a escurecer e as luzes da Praça Djeema El Fna começavam a brilhar. Ela é considerada um “Patrimônio Imaterial da Humanidade” pela Unesco de tão incrível. Dá para considerar um restaurante ao ar livre com numerosas barraquinhas oferecendo comidas variadas a preços mais do que honestos, contadores de histórias, encantadores de cobra, dançarinos, tatuadoras de henna. Uma mistura fascinante de sons e cheiros, contra a agoniante sensação de que eu não ia conseguir passar isso pela câmera fotográfica. Aliás, foto é algo que eles odeiam, provavelmente por causa da quantidade de gringos fotografando-os como atrações turísticas. A maioria pede dinheiro ao ser clicado, especialmente as crianças (fucking mercenárias), e como eu estava com uma reflex que precisava ajustar iso, velocidade, abertura, foco, tive que criar metódos como fingir que ia fotografar uma amiga e apontar um pouco mais para o lado.  Nem sempre deu certo, tomei vários xingos mas valeu a pena.
Comemos um côngrio à milanesa com molho de tomate e pão árabe. O suco de laranja mais doce que tomei na vida era de lá, provavelmente pela enorme quantidade de sol que as plantações recebem o ano todo. Agendamos nosso rolê para o Sahara do dia seguinte (eu conto depois) e fomos dormir cedo, exaustas.

Cheiro bom de comida ao som de flauta e tambores...

E a melhor parte foi o molhinho de tomate picante, hmmm...





MARROCOS

15 11 2009
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Berbere no Sahara.

O Marrocos é um país islâmico do norte da África famoso desde que o escritor Paul Bowles conheceu, se apaixonou e escreveu o lindíssimo “”The Sheltering Sky” (O Céu que Nos Protege), mais tarde filmado por Bertolucci. Diverso, ele tem montanha, deserto e neve, e foi colonizado por espanhóis (mais ao norte) e franceses (mais ao sul) o que significa que essas são as línguas predominantes depois do árabe, claro. A moeda é o Dirham que, fazendo um cálculo grosseiro para facilitar o dia a dia, dava para usar a proporção: 10dh = 1euro = 3 reais.  

Marrakesh

O queridíssimo e moderninho rei é o Mohammed VI desde 1999. Além de incentivar o turismo no país, ele beneficiou muito a população feminina: deu a elas o poder de pedir o divórcio (antes só os homens podiam), criou restrições à poligamia (por exemplo, a primeira esposa precisa topar) e não são mais consideradas inferiores aos homens na legislação.

O RAMADÃ
Chegamos na última semana do Ramadã, que é um mês no qual os muçulmanos jejuam da hora em que o sol nasce até a hora em que o sol se põe, não bebem nem água. E não é só isso: eles não podem nem fumar nem transar. Essa é basicamente uma das datas mais importantes do Islamismo, que celebra a revelação do Corão a  Maomé. Segundo eles, o jejum é cientificamente bom para o corpo e importante para fazê-los compreender o que os pobres passam.
A forma como eles levam a sério a religiosidade é algo impressionante. Da moça atrás da burca ao maninho metido a malandro, todos param para as cinco rezas, e se possível, pelo menos uma na mesquita. Na hora do desjejum, mais ou menos umas 18h30, tudo fecha e fica deserto.

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Mesquita Kotoubia. Muito respeito.

Muitos comentaram que, se tívessemos chegado fora do Ramadã, teríamos visto um Marrocos muito mais sorridente. Não sei se é porque chegamos da Espanha, mas os marroquinos me pareceram muito receptivos e alegres. Salvo raras exceções, a maioria fazia questão de ajudar, informar, ninguém tinha cara de que ia nos trocar por camelos como todos avisaram.

POR LÁ
Água, só mineral, ou seja, esquece o gelo (exceto no Mc Donalds). Como é de se esperar, o país é muito quente, então a boa é evitar ir no verão, quando só rola sair do hotel umas 16h de tanto calor.
Um detalhe curioso é a quantidade de gatos que vimos por lá. Por toda parte, vários, vários fofitos. Para ter uma noção, eu que sou l-o-u-c-a por gatos, queria pegar tooooodos no colo (“olha esse vaca! e esse preto? e aquele micro?”) chegou uma hora que já nem dava atenção mais. E só vimos dois cachorros, um no deserto do Sahara com os berberes e outro numa micro cidade. Li na internet que os muçulmanos consideram os cães animais impuros, coitados, mas ninguém me confirmou isso.

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Um vaquinha, recepcionando as pessoas.

Banheiro é meio problemático, então (girls) é sempre bom ter papel higiêncio à mão. Nós reclamamos dos banheiros químicos na balada, mas nos deparamos com um bem esquisito: era de louça, mas somente um buraco no chão com a marca dos pés. Do lado, um siniiiistro baldinho com água. Soube que eles se limpam com a mão esquerda e comem com a direita. Ou seria o contrário? Dúvida perigosa…

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O baldinho é mesmo beeem sinistro.

 obs. Assim que eu tiver paciência de criar mais um endereço na net, coloco as fotos no flickr.

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Muuuuita foto, tudo lá é lindo, diferente, foda, precisa ser registrado. Todas as fotos do post: Carla Arakaki





VC SABIA?

12 11 2009

Uma…
prt_September25

…por…
prt_sep5

…dia.
prt_Nov4

A de hoje.





STOP MOTION

4 11 2009

Foda. Foda.
60.000 clicks, 9.600 impressões, 1.800 clicks de novo. Sem pós produção.

(não sei colocar essa tela no canto)





33.ª MOSTRA DE CINEMA

3 11 2009

“Aquiles nunca pode alcançar a tartaruga pois na altura em que atinge o ponto donde a tartaruga partiu, ela ter-se-á deslocado para outro ponto; na altura em que alcança esse segundo ponto, ela ter-se-á deslocado de novo e assim sucessivamente, ad infinitum” (Kirk e Raven)

aquiles-tartaruga AQUILES E A TARTARUGA (Akiresu To Kame), 2008, Japão, dir.: Takeshi Kitano. O paradoxo acima é estranho mas não vem ao caso desenvolvê-lo, o que nos interessa aqui é a metáfora para o filme que mostra várias fases na vida de Machisu, um pintor nato mas frustrado. Ele é tão fofo e engraçado que é impossível não simpatizar, tanto na fase criança como a adulta e a velhinha (que por um acaso é interpretado pelo próprio Beat Takeshi – esse é o aka dele)… Super talentoso, ele começa a ouvir pitaco demais e se deixa influenciar, o que acaba criando uma confusão mental e o impede de encontrar um estilo próprio. Críticas construtivas são sempre bem vindas, mas entre ouvir e seguir fielmente há uma longa distância. Impossível não comparar com música, onde todo mundo acha que ”essa caixa ficaria melhor que  esse clap” ou “a participação do som deveria ser outra” ou ainda “a levada está muito previsível”. Se você faz algo com o objetivo de agradar alguém que não você mesmo, você será um músico medíocre. Foi o que aconteceu com o coitado, que não conseguia vender um único quadro…

Takeshi Kitano, para quem não se lembra, já fez o maravilhoso “Dolls” e também “Zatoichi” (já citei aqui no blog em algum lugar). Sempre que vir o nome dele pode correr que é certo que o filme é bom. Na Mostra, ainda passa mais uma vez hoje às 22h





OS GÊMEOS NA FAAP

27 10 2009

Imperdível.

camila_gemeos

Montagem da expo Vertigem. Foto:Camila Miranda

VERTIGEM – OS GÊMEOS
Até 13/12
Museu de Arte Brasileira da FAAP
R. Alagoas, 903 – Higienópolis
De terça a sexta das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados das 10h às 17h
(exceto segunda)
Entrada Gratuita

obs – Para ver o ensaio completo da montagem, clica aqui.