MINHA DIANA

20 12 2009
Depois de longos dias de espera, minha encomenda colorida chegou!!

Eu sei, ela é linda...

Mesmo num mundo digital como o de hoje, o analógico continua tendo seu espaço garantido (especialmente no meu coração rs), tanto no áudio (como já falei aqui) quanto na fotografia. A Diana é uma camerinha simplésima de plástico que surgiu em Hong Kong (The Great Wall Plastics Factory) nos anos 60 para ser vendida a um dólar. Acabou descontinuada na década seguinte devido ao seu fracasso retumbante. Com o tempo, esse efeitinho saturado com cara de antigo conquistou muitos adeptos pelo mundo inteiro, fazendo com que as fábricas voltassem a produzi-las. Outras marcas também fabricam esses objetos viciantemente colecionáveis: quem nunca ouviu falar da Holga ou da Lomo?

A parada é que além do efeito ser lindo, ela é ótima para aprender os princípios da fotografia já que é muito fácil de entender, nessa câmera, como funciona a abertura do diafragma, a velocidade do disparo e outros detalhezinhos que vão fazer a diferença na hora do click. A imprecisão do que você está vendo pelo visor e dos detalhes técnicos produzem um fascínio e uma ansiedade monstra para ver as fotos reveladas. E se você retirar a lente, dá para fazer até pinhole!!

Já comprei meus rolinhos de filme 120mm e estou ansiosíssima para estrear… Em breve, mostro os resultados aqui – o díficil vai ser esperar os 12 clicks para revelar.

(A D90 tá morrendo de ciúmes, mas ela ainda é a número 1)





FEZ

14 12 2009

O trem para Fez (فاس‎) saía às 9h45, tempo exato de comprarmos umas cocas, café e um sanduíche murcho do dia anterior no único café da estação que abria “cedo”: 9h30. Seriam 7h de trem sem ar condicionado, como minha pressão já é naturalmente baixa, achei melhor prevenir: “Do you have salt?” “Sauce?” “Noo, salt!” “Oh, ok!” E me deu um catchup e uma mostarda.

Estação de trem (se não me engano, em Meknés). Foto: Letícia

O trem de lá, além de pontual, barato e eficiente meio de transporte, é uma graça: amarelo e vermelho meio retrô, com poltronas de couro marrom… E vazio, cada uma pegou duas poltronas para deitar! Quente, quente, todos procuravam o ventinho que entrava pelas janelas. Um detalhe meio irritante é que grande parte dos caras por lá gostam de ouvir música árabe no celular SEM FONE. Pensa naquela música agudíssima, mesmo bpm, mesma bateria por horas… Solução óbvia… I pod. Agradeci muito a mim mesma por ter comprado aquele fonezinho Sennheiser em Barcelona. Conforme as horas e as estações de cada cidade passavam, o trem ia enchendo e a quantidade de turistas, diminuindo consideravelmente. Quando finalmente chegamos ao nosso destino, o trem estava tipo o metrô de Sampa: muita gente de pé se esmagando, ninguém esperava as pessoas saírem para depois entrar… Dois caras discutiram na porta, será que era o jejum do Ramadã que estava deixando as pessoas mau humoradas assim? Como a galera tava olhando muito para nós, achamos melhor cobrir pelo menos os ombros. Respeito pela cultura alheia é bom e todos gostam.

Com um pouco de custo, pegamos um petit táxi para nos levar ao hotel (Fes Inn, tem até bar e piscina!). O hotel é um pouco afastado mas o preço do táxi equivalia a uma passagem de circular (diferente de Marrakesh, aqui o taxímetro valia). A cidade não parecia ser muito bonita à primeira vista, meio pobrinha, descobrimos então que havia a parte nova e a antiga.

Fez e os petit taxis. Não é tão bela... Foto: Carol

A cidade é a terceira maior do Marrocos, depois de Casablanca (a mais ocidental de todas) e Rabat (a capital do país), e a mais antiga das cidades imperiais. É conhecida por ser a cidade islâmica mais completa do mundo árabe além de centro religioso e cultural. Lá existem duas medinas, sendo uma delas (Fez el-Bali) tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

Fez el-Bali

Agendamos um guia para o dia seguinte já que lá predomina o árabe e o francês e comemos um spaghetti ao molho sugo incrível no hotel (já não aguentávamos mais o sabor do curry). Fomos também até uma telebutique dar notícias de vida. Telefonar para o Brasil é bem mais caro no Marrocos do que na Europa, decidimos nos comunicar por email. Detalhe: eu sempre pegava um computador podre com o teclado apagado e, para completar, as letras ficavam em lugares diferentes do nosso teclado. Praticamente catando milho, cheguei ao cúmulo de ter que copiar e colar letras!!

No dia seguinte tomamos o café da manhã simpático do hotel (o velho amigo pão árabe, o também conhecido croissant – igual ao que levamos para o deserto, panquecas, mel, suco de laranja e ovo mexido: nada de frutas ou frios) e fomos para a medina mais bacana: Fez el-Bali. Cheia de ruelas (algumas tinham meio metro de largura, juro!), às vezes meio escuras, parecia um labirinto. Ainda bem que pegamos um guia, sozinhas seria praticamente impossível… Comprar não foi tão difícil pois essa arte é bem conhecida internacionalmente: aponta aqui, mostra a calculadora com valor, eu mostro meu preço na mesma calculadora e assim vai… “oh, thank you, chuckran, merci, gracias, arigatô, valeu!”

Vai um frango?

Finalmente nos deparamos com carne e cérebro de camelo à venda (quando fotografei, o vendedor falou algumas palavras em árabe e fez cara feia tampando a mercadoria). Galinhas, perus, escargots, gordura animal, era o souk das carnes.

Céééérebro de cameeeeelo! Brrrr!

Passamos depois pelo souk de especiarias, de sedas, paramos numa tecelagem maravilhosa (vários lenços adquiridos), fomos até a imponente medersa Bouanania (construída no séc 14 pelo sultão Abou Inan, acusado de ter mais interesse em sexo e assassinatos do que religião) e, finalmente, para o famoso curtume. Na entrada ganhamos um maço de hortelã para amenizar o cheiro, mas eu esperava algo tão ruim que quando cheguei lá não achei tão insuportável.

Levemente fedorento, o famoso curtume!

Escola Corânica. Foto: Carol Gariani

Vimos poucos turistas (talvez por ser baixa temporada) e muitos marroquinos seguindo seu dia a dia, fazendo compras de alimentos, roupas. É super comum ver dois caras de mãos dadas. Dar 4 beijinhos no rosto então, é default (digo homem com homem, não vi nenhuma mulher se cumprimentando). Como era a última semana do Ramadã, as crianças estavam super maquiadas e enfeitadas, com henna nas mãos e roupas especiais.

Toda enfeitada para o final do ramadã! Nhoc!

Na hora de acertar com o guia (oficial, solicitado no hotel), o furo nos zóio:
- “well, 250 dirhams!”
- “No, our deal was 150 dirhams for 3 hours!”
- “we passed half an hour!”
- “af, take it” -
e põe no… bom deixa quieto, o rolê foi demais…

Fomos ao Mc Donalds pois ainda estávamos com um leve bode de curry. De diferente, tinha dois modelos de  Mc Arabia (um com berinjela e outro de tahine, estranhaço), um tal de Mc Gambas (hamburguer de camarão) e uma batata frita super picante deliciosa. Comi uma salada (sabor plástico) pois estava no desespero de comer alguma folha ou legumes, a batata super picante e nosso conhecido Mc Chicken.  De sobremesa, Mc Flurry de Kit Kat.

Acho que esse Mc Arabia de berinjela não vai pegar no Brasa...

Na saída, tentamos pegar um táxi, mas mais de meia hora e nada: ou estavam cheios ou simplesmente passavam reto. Um detalhe engraçado é que eles podem pegar outros passageiros mesmo já tendo alguém no carro. Tentamos mudar de cruzamento e nada. Um taxista repetiu várias vezes para nós uma palavra que tentei decorar, mas como minha memória é… eu esqueci. Seria porque estava perto do horário do desjejum? Seria porque somos mulheres? Ou porque somos turistas? Ou porque não foram com nossa cara? Nunca vou saber porque ninguém nos queria como passageiras. Finalmente, um simpático marroquino nos ajudou mesmo não entendendo patavina de inglês ou espanhol. E viva a educação! E a mimíca!

De noite, drinks no hotel: nossa primeira bebida alcoólica no Marrocos. Cheers! A viagem estava no fim mas o dia seguinte estava sendo ansiosamente aguardado: Chefchouen!! A cidade azul!





ATRAVESSAMOS O DESERTO DO SAHARA

3 12 2009

Ou quase isso…

Por causa do Ramadã, tudo abria mais tarde (lá pelas 11h) então o café da manhã foi croissant puro e água que compramos no dia anterior.  A van partiu às 7h30 de Marrakesh com mais umas 7 pessoas. Na bolsa, protetor solar, óculos escuros, blusa de frio e câmera. 

Saindo de Marrakesh, longo caminho cheio de paisagens bem diferentes… Construções mal acabadas, cactos, partes desertas, rios… Fez sol, choveu, fez frio, depois calor de novo… E come estrada…

Paisagens incríveis

Parece cenário de "À Prova de Tudo"

Perto da hora do almoço paramos em AIT BENHADDOU (آيت بن حدّو), uma cidadezinha fortificada, antiga parada de caravanas a caminho do Sahara. Toda cor de terra, como Marrakesh, foi cenário de filmes como “Gladiador”, “A Múmia” e “Babel“. Finalmente vi um cãozinho bege numa sombra, quase se misturando com o cenário. Um pouco mais adiante, almoçamos em OUARZAZATE (ورزازات ) ao lado do “Ouarzazate Cinema Museum”.

Ait Benhaddou

Explorando tuuudo, fotografando tuuudo... Foto: Carol Gariani

Kebab de Frango em Ouarzazate

Mais estrada. A agonia que senti assistindo “Babel” naquele começo onde o busão anda, anda, anda (antes da mulher ser atingida) era real… Eram quase 18h quando finalmente chegamos em ZAGORA ( زكورة) – a porta do deserto. Quadrados. Um mano veio nos avisar que precisávamos comprar água e nos proteger do vento e da areia, amarrando lenços nas nossas cabeças no style berbere. Aí, momento camelo. Um a um sentava e o bicho subia igual a um desenho animado. E andava desengonçadamente, da forma mais desconfortável possível. Se você travasse a coluna, era pior porque doía o dobro. Olhei ao redor e parecia que só eu tava sendo fresca, resolvi desencanar, bem na hora em que os berberes que nos conduziam pararam para o desjejum, umas 18h30. Coisa de dez minutos, tempo suficiente para a escrota da espanhola que tava conosco fumar um cigarro e jogar a bituca ali mesmo, sem cerimônia. Aff.

Se liga no desconforto do camelo 2.0. Foto: Letícia

Mais umas duas horinhas de camelo e já estava tudo um breu, demorou para os olhos acostumarem. Lá longe, avistamos um quadradinho iluminado, nosso destino.

A barraca era de tamanho médio, tinha um monte de colchonetes empilhados de um lado, cobertores, duas mesas redondas baixas com toalhas vermelhas (duras e no formato da mesa de tanto tempo que não devem ter sido tiradas para lavar) e um lampião, lamparina, sei lá. Olhamos ao redor e era isso. Ninguém citou banheiros, então deduzimos que a duna mais próxima…
Gel antisséptico, pelamor. Os berberes chegaram com chá de menta para todo mundo. Enquanto um servia (bule alto para formar espuma), o outro preparava o tabaco com haxixe (beeem comum por lá). Várias línguas misturadas na tentativa de um papo coletivo.
- “In Brazil, we have a music about Sahara!” - Letícia tentava se comunicar com o berbere.
- “Music? After dinner! After dinner!” – ele respondia cheio de sotaque.
“Nooo, en Brazil, tenemos una musica sobre el Sahara!” - ela insistia, dessa vez em espanhol.
- “Si, si, after dinner!!”
-
Nooooo…”
- “Le, desencana, mano!
Todo mundo roxo de fome, chegaram os tais pãezinhos árabes de sempre com uma sopa uó. Repito, u-ó. Imagina água quente com maizena para engrossar. Aprendemos a falar sal em todas as línguas mas ninguém tinha. “Oooooooooooo” – exclamou o berbere decepcionado ao ver que ninguém tocou na sopa. Será que é isso que eles tomam no desjejeum? Oh God! Digo, ô Allah! A esta altura, o pão estava delicioso. 
E para felicidade geral, um lindo tahine de legumes com frango chega à mesa com alguns garfos. Olhamos pro lado enquanto aguardávamos os pratos, e percebemos que era isso mesmo: sem pratos, sem guardanapos, sem facas.. Todo mundo junto e misturado, gripe suína passou longe dali. Ok, desapego, pelo menos tinha garfo. 

A sopa "saborosa"... e o tahine comunitário. Depois, um ano sem olhar pra abobrinha.

Bom, after dinner, os caras chegaram com uns galões para batucar e começaram a cantarolar várias músicas bereberes. Alucinante! Dava vontade de samplear tudo, lembrei daquele gravadorzinho portátil  estéreo que vi numa AES da vida… Depois foi a vez de cada um cantar música de seu país. Óbvio, nós três nos realizamos cantando com todos os pulmões “Atravessamos o deserto do saaraaaaa, o sol estava quente e queimou a nossa caraaaaaaaa“, mas não fizemos tanto sucesso quanto eu esperava. Os espanhóis chatos não quiseram cantar (tá com vergonhinha?) e os italianos se empolgaram conosco. Aí, lá vai Letícia de novo:
- “I know a italian song, I know!!
Todos olham e aguardam. Ela não se intimda:
- “Sempre um corneeeeettooooo, és piu crocaaaanteeeee, é da gelattoooooo!” – com solfejos e tudo
- “Gata, isso é sole mio“ - sussurrou Carol
Os italianos fizeram cara de interrogação e os berberes voltaram a cantar e dançar.

Música e dança berbere. Demais!

Ao sair da barraca, um céu cha-pa-do de estrelas nos cobria. Eu e um basco com sua Canon tentamos clicar, mas sem tripé no way. Olhei, olhei, olhei, até ter certeza de que nunca esqueceria aquele momento. Ventava muito, mas uma blusa dava conta. A tal inversão térmica forte mesmo deve rolar mais nos confins do deserto. 
Lencinhos umedecidos fizeram nosso banho de gato, água mineral para escovar os dentes. Eu não sou do tipo que acampa, sempre aloprei as pessoas chamando de pé sujo e lá estava eu, dormindo com o pé sujo. Mas o da Letícia e da Carol estavam beeem mais sujos (#prontofalei). Podres e ainda quadradas, limpamos nossos colchonetes (cheios de areia) e deitamos num esquema meio tetris. Não sem antes dar uma última olhada pro céu e agradecer muito a Deus (Allah?).

 Fui a primeira a acordar, pensando que todos iriam querer ir ao “banheiro” ao mesmo tempo. Ao sair da barraca, bam!! Surpresa! Sundance! O sol nascendo lindoooooooooooo, toda aquela areia ao redor, todas aquelas cores! Me agilizei e peguei a câmera acordando as minas: “acordeeem, vocês não têm noção!” Respirei fundo. O silêncio monstro misturado com aquela imensidão me paralisou. PQP. Bem disse Paul Bowles. O tal céu que nos protege e nos esmaga.

O silêncio é uma dádiva

Berberes

O café da manhã era pão árabe (uhu, novidade), queijinho “la vaca que ri” e melado. Com chá de menta, claro. Os copinhos com digitais me deram a sensação de “já te vi ontem”, afinal… como eles lavam a louça? (Imaginei a Jéssica surtando, amiga que não come perto de pombos nem deixa uma comida se misturar a outra no prato. Sempre que cozinho perto dela fico tensa pensando se estou sendo suficientemente higiênica). Forças recuperadas, tudo de novo pra volta. Mas com um sorriso de uma orelha a outra, recompensador.

Na chegada a Marrakesh, vimos um cinema. “Maaano, A Hora do Rush 2  que atual!” O maninho que divulgava se ligou na nossa (rachando o bico) e gritou “Fuck You!“. No mau humor que estávamos, sem banho e sem cama, mandei um dedo belíssimo pra ele - fuck you universal – que ficou puto. Puto. Fomos direto a um hamman (famosos banhos esfoliantes com massagens que os muçulmanos utilizam – de vez em quando, creio eu - antes de ir a mesquita). Mortas, compramos uns espetinhos de camarão com suco de laranja na Djeema El Fna e cama. A vantagem de não ter nada pré marcado, é a liberdade de roteiro: resolvemos desencanar de  ir a Essaouira no dia seguinte, uma cidade portuária teoricamente imperdível (rs) para descansar em Marrakesh, pois o destino seguinte (Fez) prometia.





BON APPETIT!

30 11 2009

Shaw: “Caraio Cá, só tem tiazinha aqui, que filme vamos ver?”
Carla: “Ai, não me mata…”

 JULIE & JULIA, 2009, EUA, dir: Nora Ephron. São duas histórias reais acontecidas em tempos diferentes, muito bem entrelaçadas pela diretora. Julia Child é autora da bíblia culinária para americanos “Mastering the Art of French Cooking” e viveu entre 1912 e 2004. Já Julie Powell é uma blogueira que ficou famosa justamente por criar um desafio para si mesma: fazer todas as 524 receitas do livro de Julia em 365 dias e contar tudo no blog (isso rolou em 2003 e o blog virou livro: “Julie & Julia“). O filme é simplesmente adorável mesmo para quem não curte cozinhar, afinal, comer é consenso geral. E no final, até o Shaw achou simpático (depois de eu prometer que o próximo filme ele escolhe).





DENTE DE LEITE

27 11 2009

“One day, a milk toof knocked on my door and said ‘hello’ “

Da série “Eu queria ter feito”: My Milk Toof. Além de ser muito bem fotografado, a produção é linda! O cenário é o máximo, as histórias são simples e fofas e dá vontade de comer os protagonistas.

Maybe you guys should stay indoors for a while, okay? "okay"

"Brrr cold!"

"uau, listen to this beat!"

"Trick or Treat"





MARRAKESH

22 11 2009

Do avião (Vueling , uma dessas empresas aéreas de low cost) dava para ver enormes plantações de laranja e tâmaras, construções cor de terra, pedaços completamente desertos. Mal conseguíamos nos aguentar sentadas de tanta ansiedade. Descemos no aeroporto de Marrakesh sem saber mais do que duas palavras em árabe, sem reserva em hotel, sem noção do que nos aguardava. Não tínhamos nada muito planejado a não ser o bilhete de volta, saindo de Casablanca para a Espanha novamente. 
Um busão nos levou ao centro da cidade (nem meia hora de distância). Eram 11h da manhã e o sol fritava. Com uma mala enorme nas costas (deixamos metade em Barcelona) e um guia na mão, começamos a perguntar – em inglês – onde ficava a famosa Praça Djeema El Fna.

Marrakesh

Mal sabíamos pronunciar esse nome mas foi fácil, muita gente entendia inglês e indicou certinho. Achamos meio estranho, mas as mulheres mais cobertas nos evitavam. Eu tinha pesquisado na net uns riads fofos e marcado o “Sherazade” como tentativa número um. Riads são ex palacetes que viraram acomodações bem fofas, onde todos os quartos são diferentes e dão para um pátio/ jardim interno. Deu certo, sorte que estávamos na baixa temporada… O quarto era uma graça, mas não tinha frigobar nem tv e eu estava bem curiosa para conhecer a programação deles. Jogamos as malas no quarto, trocamos a calça jeans e tênis por roupas mais leves e fomos ver a cidade.

O terraço do nosso riad, onde rola o café da manhã.

Marrakesh é um destino bem turístico, soube que vários atores gringos tem casa por lá e, em dezembro, há um badalado festival de cinema. Por onde andávamos, os sorridentes marroquinos nos perguntavam de onde vínhamos (“Brasil? Oooo Kaká!” – É, Ronaldos já eram), se apresentavam, queriam fazer amizade.
Quero comer em um restaurante beeem típico” – disse Letícia, empolgada.  Minha primeira refeição foi um lindo couscous marroquino com frango e legumes, coca-cola gelada (mas sem gelo) e pão. Tudo lá vem acompanhado de pão árabe. 

De-lí-cia!

Ficar ao redor da Praça Djeema El Fna é estar bem localizado. Tudo é muito perto. Fomos caminhar pelo souk Smarine, que são mercados e lojinhas de ruas. Especiarias, tapetes, lenços, cosméticos, luminárias, narguilés, babouches, um mundo colorido, cheiroso, fascinante (agora entendo por que o Saara no Rio tem esse nome, me lembrei muito da 25 de Março). Tudo lá deve ser pechinchado, sem vergonha (até táxi, que é baratíssimo).

Especiarias no souk

"Rali bezzaf..." ("muito caro")

Eles colocam valores meio absurdos para chegarmos a quase um terço do preço. Muitos são tão invasivos que chegam a pegar no braço para mostrar as incríveis mercadorias de sua loja. Um pouco irritante. Eles ficam arrasados quando você negocia muito e acaba não levando, inclusive acreditam que, se perderem a primeira compra do dia, vão ter um péssimo dia de negócios.

"Twenty Dirhams!" "No, no, are you crazy? Ten Dirhams! Ten!"

Passamos pela lindíssima mesquita Kotoubia que tem um minarete de 70m (torre com alto-falantes que chamam para rezar as cinco vezes ao dia) e serviu de modelo para o estilo marroquino de minaretes: quadrado, com três esferas em seu topo. Segundo a lenda, essas esferas foram feitas com as jóias derretidas de uma das mulheres do sultão el-Mansour, como castigo por ter quebrado o Ramadã comendo três uvas.     

Mesquita Kotoubia.

Calculamos as 3 horas de diferença de lá para o Brasil e procuramos uma teleboutique para ligar para maridos e pais e avisar que estávamos bem, ninguém havia nos trocado por camelos, ainda.   

Na praça Djeema El-Fna, encantador de cobra...

O céu já começou a escurecer e as luzes da Praça Djeema El Fna começavam a brilhar. Ela é considerada um “Patrimônio Imaterial da Humanidade” pela Unesco de tão incrível. Dá para considerar um restaurante ao ar livre com numerosas barraquinhas oferecendo comidas variadas a preços mais do que honestos, contadores de histórias, encantadores de cobra, dançarinos, tatuadoras de henna. Uma mistura fascinante de sons e cheiros, contra a agoniante sensação de que eu não ia conseguir passar isso pela câmera fotográfica. Aliás, foto é algo que eles odeiam, provavelmente por causa da quantidade de gringos fotografando-os como atrações turísticas. A maioria pede dinheiro ao ser clicado, especialmente as crianças (fucking mercenárias), e como eu estava com uma reflex que precisava ajustar iso, velocidade, abertura, foco, tive que criar metódos como fingir que ia fotografar uma amiga e apontar um pouco mais para o lado.  Nem sempre deu certo, tomei vários xingos mas valeu a pena.
Comemos um côngrio à milanesa com molho de tomate e pão árabe. O suco de laranja mais doce que tomei na vida era de lá, provavelmente pela enorme quantidade de sol que as plantações recebem o ano todo. Agendamos nosso rolê para o Sahara do dia seguinte (eu conto depois) e fomos dormir cedo, exaustas.

Cheiro bom de comida ao som de flauta e tambores...

E a melhor parte foi o molhinho de tomate picante, hmmm...





MARROCOS

15 11 2009
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Berbere no Sahara.

O Marrocos é um país islâmico do norte da África famoso desde que o escritor Paul Bowles conheceu, se apaixonou e escreveu o lindíssimo “”The Sheltering Sky” (O Céu que Nos Protege), mais tarde filmado por Bertolucci. Diverso, ele tem montanha, deserto e neve, e foi colonizado por espanhóis (mais ao norte) e franceses (mais ao sul) o que significa que essas são as línguas predominantes depois do árabe, claro. A moeda é o Dirham que, fazendo um cálculo grosseiro para facilitar o dia a dia, dava para usar a proporção: 10dh = 1euro = 3 reais.  

Marrakesh

O queridíssimo e moderninho rei é o Mohammed VI desde 1999. Além de incentivar o turismo no país, ele beneficiou muito a população feminina: deu a elas o poder de pedir o divórcio (antes só os homens podiam), criou restrições à poligamia (por exemplo, a primeira esposa precisa topar) e não são mais consideradas inferiores aos homens na legislação.

O RAMADÃ
Chegamos na última semana do Ramadã, que é um mês no qual os muçulmanos jejuam da hora em que o sol nasce até a hora em que o sol se põe, não bebem nem água. E não é só isso: eles não podem nem fumar nem transar. Essa é basicamente uma das datas mais importantes do Islamismo, que celebra a revelação do Corão a  Maomé. Segundo eles, o jejum é cientificamente bom para o corpo e importante para fazê-los compreender o que os pobres passam.
A forma como eles levam a sério a religiosidade é algo impressionante. Da moça atrás da burca ao maninho metido a malandro, todos param para as cinco rezas, e se possível, pelo menos uma na mesquita. Na hora do desjejum, mais ou menos umas 18h30, tudo fecha e fica deserto.

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Mesquita Kotoubia. Muito respeito.

Muitos comentaram que, se tívessemos chegado fora do Ramadã, teríamos visto um Marrocos muito mais sorridente. Não sei se é porque chegamos da Espanha, mas os marroquinos me pareceram muito receptivos e alegres. Salvo raras exceções, a maioria fazia questão de ajudar, informar, ninguém tinha cara de que ia nos trocar por camelos como todos avisaram.

POR LÁ
Água, só mineral, ou seja, esquece o gelo (exceto no Mc Donalds). Como é de se esperar, o país é muito quente, então a boa é evitar ir no verão, quando só rola sair do hotel umas 16h de tanto calor.
Um detalhe curioso é a quantidade de gatos que vimos por lá. Por toda parte, vários, vários fofitos. Para ter uma noção, eu que sou l-o-u-c-a por gatos, queria pegar tooooodos no colo (“olha esse vaca! e esse preto? e aquele micro?”) chegou uma hora que já nem dava atenção mais. E só vimos dois cachorros, um no deserto do Sahara com os berberes e outro numa micro cidade. Li na internet que os muçulmanos consideram os cães animais impuros, coitados, mas ninguém me confirmou isso.

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Um vaquinha, recepcionando as pessoas.

Banheiro é meio problemático, então (girls) é sempre bom ter papel higiêncio à mão. Nós reclamamos dos banheiros químicos na balada, mas nos deparamos com um bem esquisito: era de louça, mas somente um buraco no chão com a marca dos pés. Do lado, um siniiiistro baldinho com água. Soube que eles se limpam com a mão esquerda e comem com a direita. Ou seria o contrário? Dúvida perigosa…

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O baldinho é mesmo beeem sinistro.

 obs. Assim que eu tiver paciência de criar mais um endereço na net, coloco as fotos no flickr.

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Muuuuita foto, tudo lá é lindo, diferente, foda, precisa ser registrado. Todas as fotos do post: Carla Arakaki





VC SABIA?

12 11 2009

Uma…
prt_September25

…por…
prt_sep5

…dia.
prt_Nov4

A de hoje.





STOP MOTION

4 11 2009

Foda. Foda.
60.000 clicks, 9.600 impressões, 1.800 clicks de novo. Sem pós produção.

(não sei colocar essa tela no canto)





33.ª MOSTRA DE CINEMA

3 11 2009

“Aquiles nunca pode alcançar a tartaruga pois na altura em que atinge o ponto donde a tartaruga partiu, ela ter-se-á deslocado para outro ponto; na altura em que alcança esse segundo ponto, ela ter-se-á deslocado de novo e assim sucessivamente, ad infinitum” (Kirk e Raven)

aquiles-tartaruga AQUILES E A TARTARUGA (Akiresu To Kame), 2008, Japão, dir.: Takeshi Kitano. O paradoxo acima é estranho mas não vem ao caso desenvolvê-lo, o que nos interessa aqui é a metáfora para o filme que mostra várias fases na vida de Machisu, um pintor nato mas frustrado. Ele é tão fofo e engraçado que é impossível não simpatizar, tanto na fase criança como a adulta e a velhinha (que por um acaso é interpretado pelo próprio Beat Takeshi – esse é o aka dele)… Super talentoso, ele começa a ouvir pitaco demais e se deixa influenciar, o que acaba criando uma confusão mental e o impede de encontrar um estilo próprio. Críticas construtivas são sempre bem vindas, mas entre ouvir e seguir fielmente há uma longa distância. Impossível não comparar com música, onde todo mundo acha que ”essa caixa ficaria melhor que  esse clap” ou “a participação do som deveria ser outra” ou ainda “a levada está muito previsível”. Se você faz algo com o objetivo de agradar alguém que não você mesmo, você será um músico medíocre. Foi o que aconteceu com o coitado, que não conseguia vender um único quadro…

Takeshi Kitano, para quem não se lembra, já fez o maravilhoso “Dolls” e também “Zatoichi” (já citei aqui no blog em algum lugar). Sempre que vir o nome dele pode correr que é certo que o filme é bom. Na Mostra, ainda passa mais uma vez hoje às 22h





OS GÊMEOS NA FAAP

27 10 2009

Imperdível.

camila_gemeos

Montagem da expo Vertigem. Foto:Camila Miranda

VERTIGEM – OS GÊMEOS
Até 13/12
Museu de Arte Brasileira da FAAP
R. Alagoas, 903 – Higienópolis
De terça a sexta das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados das 10h às 17h
(exceto segunda)
Entrada Gratuita

obs – Para ver o ensaio completo da montagem, clica aqui.





O QUE COMER EM BCN

26 10 2009

Falar de comida pra mim é quase tão prazeroso quanto comer. Sou viciada em receitas, temperinhos, utensílios domésticos… Na viagem não comemos bem o tempo todo, mesmo porque ainda tínhamos que nos preocupar com o tempo e o preço, mas pelo menos prezamos a variedade, cumprindo o que prometi antes de viajar (abrir mais meus horizontes alimentícios).

PRATOS TÍPICOS
Paella – dispensa apresentações, é aquele prato à base de arroz e, na maioria das vezes, frutos do mar. Com exceção do peixe, eu não sou muito chegada nessa galera do oceano então sou suspeita para indicar, mas segundo Letícia, a de arroz negro é insuperável. Eu experimentei e senti o mesmo gosto de mar da paella de camarão.

paella

Olha o tamanho do amigo... Foto: Carol

Bocadillos – é tipo um sanduíche de metro, feito na baguete (sempre crocante). Os recheios são variados, mas rola um molhinho vermelho default… Atum com azeitonas, tortilla, chouriço, frango…

Tapas – são porçõezinhas variadas (veja o cardápio do Tapas, a balada), mas a melhor ever é a de batatas bravas, beeem bravas. Pimenta é um vício.

RESTAURANTES
Restaurantes típicos são facílimos de encontrar, a maioria com o esquema “menu” (entrada, prato do dia, bebida, sobremesa) de 6 a 12 euros. O serviço (propina) não é obrigatório mas é de bom tom deixar uns 10% (isso quando não é um imbecil mal educado atendendo). Os japas também bombam por lá, mas tem dois específicos que merecem indicação:

MIU – Carrer de Valencia, 249. Além de ser lindo, todo azul turquesa, a comida é perfeita e está sempre cheio, mas como ele fica num salão enorme no subsolo, sempre tem lugar. Os donos são dois brasileiros - Thiago e Mauro (super queridos) – em sociedade com um grupo grande de lá. Na hora do almoço, o menu custa 11 euros.

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Tudo azul turquesa, até o banheiro...

FISHOP – Passeig de Gracia, 53. A idéia é remeter a uma peixaria mesmo. O povo do mar fica todo exposto numa bancada com gelo (e não fede, não se preocupem) enquanto os sushimen preparam pratos incríveis. Comi enguia, ovas de salmão, lula e até maçã no meio da salada (eu, que odeio doce e salgado misturado). Fui arrojada hein?

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O Fishop também fica no Subsolo

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Os dois sushimen brasileiros gente boníssima, Luciano e Saulo.

E o grand finale:
DOS CIELOS – Um orgasmo gastronômico. Um restaurante espanhol situado no alto de um hotel 5 estrelas (ME), conduzido por dois chefs gêmeos: Javier e Sergio Torres, os mesmos do Eñe aqui em SP. Os clientes são recepcionados pela cozinha (e que cozinha) e acomodam-se em uma das exclusivíssimas sete mesas do local. Fomos como convidadas (tá, meu bem) então nem chegamos a olhar o cardápio, eles só perguntaram se havia alguma restrição. Eu quase morri pra dizer que eu não comia carne vermelha (vermelha deve ter ficado a minha cara) e me afundei na cadeira quando ele virou pra cozinha e disse: “temos que trocar um prato”. Tipo, quem sou eu pra trocar alguma coisa?!
Abaixo, o desfile de maravilhas…

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No lounge, champagne com azeitonas (enormes) temperadinhas

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Já na mesa, bolinho de bacalhau crocante por fora e macio por dentro, sem fiapos. Nham!

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Salada/ sopa fria de feijão branco, super suave... Acompanhada de pão de azeitonas, um azeite maravilhoso e sal Maldon...

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Creme de mandioquinha com sagu negro. Parece estranho mas é bem bom!

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Peixe com cogumelos - eu que não curtia cogumelos não deixei sobrar nem uma gota do molho.

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Esse foi o prato "trocado", as meninas comeram uma carne e eu, esse peixe (que derretia na boca) com legumes

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Pré postre ou pré sobremesa - sorvete de manjericão com frutas silvestres e um fio de azeite com cheiro e sabor de flor! Surto!

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A sobremesa propriamente dita: bolinho de chocolate com camadas crocantes e meio amargas, pedaços de frutas, framboesas frescas, creme de manga com baunilha e sorvete de cupuaçu. Ai, ai...

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E quando você pensa que não aguenta mais nada, chega esse café cremoso com 3 trufas: macadâmia, crocante e laranja.

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Da mesa dava pra ver a cozinha, mas não há fumaça e nem cheiro indo para o salão

Durante a refeição, o garçom ainda veio nos oferecer um vinho branco que recusamos educadamente, nunca fui muito chegada. O chef insistiu, ainda bem: foi o melhor vinho branco que tomei na vida, não tinha sabor de álcool! Tome nota e se achar por aí, me avise: Paso a Paso (uva verdejo da região de La Mancha).    
Special Thanks: RV 

obs – Não pensem que foi tudo perfeito. No dia em que voltamos do Marrocos, looooucas por uma massa, pedi um simples spaghetti ao sugo num restaurante de bairro em St Andreu. O macarrão chegou mole e mal esquentado (no microondas) com um molho vermelho frio que ainda tinha o formato de uma lata!! “Vergonha alheia desse cozinheiro de uma figa que quer cobrar 8 euros por isso” – disse meu mau humor em bom português para o coitado do garçom constrangido, enquanto eu levantava da mesa. As meninas, que caçavam as bolinhas de carne no spaghetti à bolonhesa (ha-ha-ha) levantaram junto rachando o bico.

obs2 – Todas as fotos do post: Carol Gariani





RAP BIRTHDAY

24 10 2009

Semana corrida, nem lembrei de postar antes…

FLYER HOUSE PARTY 2 CARLA NICOLE





PHOTOSHOP?

23 10 2009

Trabalho com produção de fotos e acompanhar o tratamento de cada uma delas faz parte do processo. Numa foto de beleza, por exemplo, o fotógrafo ameniza os poros, dá um grauzinho na cor da make , ajeita os cílios com grumos, enfim… São procedimentos que tornam a foto mais bonita considerando-se o propósito dela (mostrar a make).

Imagina essas fotos maravilhosas do livro da também maravilhosa Bobbi Brown sem tratamento...

Imagina essas fotos maravilhosas do livro da também maravilhosa Bobbi Brown sem tratamento...

Já uma Playboy, por exemplo, consegue transformar completamente uma mulher. Eles literalmente tiram o umbigo pra chapar a barriga da mina (já vi sair foto sem umbigo!), tiram manchas, rugas, pneus, estrias e celulite, transformam inclusive o formato do corpo dela criando uma Barbie e, consequentemente, um padrão altíssimo ao qual meras mortais nunca chegarão naturalmente. Sempre que folheio uma, tenho a sensação de que os corpos são os mesmos e eles só trocam a cabeça… retocada! Até aí nenhuma novidade, vários emails com o antes e depois das peladas já circularam por aí. Vide casos como o da Suzana Vieira, Mulher Melancia, ex- BBBs…

Afinal, qual o limite da utilização do conhecidíssimo programa de tratamento de imagens?

Recentemente uma revista francesa publicou em sua capa uma foto de Sharon Stone com a frase: “Tenho 50 anos e daí?”. Daí que tudo bem se a foto não estivesse completamente photoshopada. Corpo per-fei-to e muita cara de pau. 

Partindo do princípio de que é esse tipo de coisa que influencia toda uma juventude a se desesperar pela busca da perfeição, Madame Boyer (a mesma parlamentar que proibiu modelos anoréxicas) criou uma proposta no mínimo polêmica que está para ser discutida na França: a obrigatoriedade do aviso “fotografia retocada” em fotos que utilizem o photoshop. 

À primeira vista é fácil e óbvio concordar com Boyer mas, por outro lado, daqui a pouco irão obrigar a utilização da frase “voz retocada” toda vez que usarem o Auto Tune (Wanessa Camargo, tremei!) ? Ou ainda, “seio operado” quando houver silicone?  As fotografias são retocadas desde que existe fotografia no mundo, independente do sistema.

Já trabalhei com fotógrafos puristas que se recusam a utilizar o programa (a não ser para cropar a imagem) e com fotógrafos que utilizam a rodo. A questão é que o Photoshop diminui muito o tempo de execução de cada imagem, além de facilitar quando não há estrutura suficiente (ex: desfocar mais o fundo quando não há recuo) e, nos dias de hoje, mais do que nunca, tempo é dinheiro e o prazo é sempre ontem.

Acho que a grande pergunta é: como definir e controlar o limite entre tratar e enganar?

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OBS - dá uma olhada no blog “Photoshop Disasters” (link ao lado) e chora… hahahahaha





O OUTRO LADO DE BARCELONA

19 10 2009

Impossível falar de Barcelona sem falar de Antoni Gaudi, o arquiteto catalão símbolo da cidade: obras como o Parque Güel, a Casa Batló, a Casa Milà (La Pedrera) e a Sagrada Família – entre outras - fazem parte do roteiro turístico obrigatório da cidade.

A Sagrada Família. Gaudí iniciou essa obra em 1882 e até hoje a igreja não foi finalizada. Dizem que a previsão é 2050, mas dizem também que a graça dela é não terminar nunca.

A Sagrada Família. Gaudí iniciou essa obra em 1882 e até hoje a igreja não foi finalizada. Dizem que a previsão é 2050, mas dizem também que a graça dela é não terminar nunca.

Parque Güell, Gaudi amava curvas e esses moisaquinhos...

Parque Güell, Gaudi amava curvas e esses moisaquinhos...

Além disso, caminhar a pé pelas ruas estreitas do bairro Gótico (cheio de lojas hypezinhas, restaurantes bacanas e construções lindas); pelas Ramblas (tipo um calçadão com ruas em suas marginais) e dar uma paradinha en La Boqueria (o Mercado Municipal deles) também são programas padrão (agradabilíssimos, por sinal).  

La Boqueria. Queijos, presuntos, cogumelos, frutas, sucos, legumes, sementes, temperos, tudo lindo... Framboesa a 1 euro, comi até morrer. Comprei favas de baunilha baratíssimas também...

La Boqueria. Queijos, presuntos, cogumelos, frutas, sucos, legumes, sementes, temperos, tudo lindo... Framboesa a 1 euro, comi até morrer. Comprei favas de baunilha baratíssimas também...

Tudo fofo, perfeitinho...

Tudo fofo, perfeitinho...

A questão é que eu poderia falar horas sobre cada uma das atrações, mas se você der um google em ”Barcelona”, vai encontrar milhares de dicas e infos sobre tudo isso, então… pra que contar tudo de novo? O bacana é saber o que as pessoas que moram lá fazem…

CINEMA – Vá direto ao Cine Verdi que é um dos poucos que ainda passam BONS filmes legendados (e não dublados, nada contra mas eu gosto de ouvir a linguagem original) já que a maioria se rendeu ao modelo “multiplex blockbuster”. Foi lá que vi “Mapa de Los Sonidos de Tokio” (conferi a programação da Mostra de Cinema que começa agora dia 23 e ele não está, infelizmente).

MACBA/ CCCB - Macba na verdade é o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona , mas a frente é perfeita para andar de skate: chão lisinho, transições e degraus. O CCCB fica grudado com o Macba e é tipo um SESC daqui: showzinhos bacanas a preços módicos com ótima estrutura.

Macba... olha que chão bom. Foto: Carol Gariani.

Macba... olha que chão bom. Foto: Carol Gariani.

 

Repare que dá para ver o sol se pondo no vidro - a galera costuma dar um tempo do skate ali, curtindo um boldin...

Repare que dá para ver o sol se pondo no vidro - a galera costuma dar um tempo do skate ali, curtindo um boldin...

LA MERCÉ – Se você der a sorte de estar por lá no final de setembro, vai conhecer a maior festa de Barcelona (e um dos espetáculos de rua mais antigos do mundo) realizada em homenagem à padroeira da cidade. São 5 dias com mais de 600 atrações em trocentos lugares diferentes, algo muito parecido com a Virada Cultural. Teatro, música (ficamos no Macba que é o palco das bandas mais alternativas), dança, folclore (vimos um desfile de uns bonecos iguais aos de Olinda), esporte, circo, tudo junto e misturado.  E o metrô fica a madruga inteira, como na Virada.

PRAIA – Barceloneta (perto do porto) é o que pega. Entre as particularidades, o topless é liberado e não provoca nenhum tipo de reação e as pessoas não usam canga, preferem toalha. Entre os ambulantes, nada de milho, água de côco ou bronzeadores, somente umas chinesas que fazem massagem e uns árabes e paquis vendendo “cerveza beer y Fanta limão”. 

Sol bombando e o mar Mediterrâneo trincando de gelado, a combinação perfeita!

Sol bombando e o mar Mediterrâneo trincando de gelado, a combinação perfeita!

"My life, my life, my life... in the sunshine" (Roy Ayers)

"My life, my life, my life... in the sunshine" (Roy Ayers)

HIP HOP – Claaaro que eu iria querer saber do nosso amado movimento… E pelo visto ele não é tão fraco quanto eu pensava e tinha pesquisado, já que no dia que eu fui pra Marrocos começou um festival de 3 dias comemorando os 25 anos de Hip Hop na Espanha, o Hipnotik 09. Entre as atrações, batalhas de mcs, de bboys, de bgirls, de crews, shows, aulas de graffiti e palestras. Além disso, um dia depois de irmos embora para o Brasil teria o show do 7 Notas 7 Colores (que é o único grupo de rap que eu conhecia de lá) dentro de LaMercè 09. De qualquer forma, não encontrei nenhuma festa de rap que acontecesse regularmente, não sei se rola.

OBS - A crise definitivamente chegou lá. A Espanha tem 40 milhões de habitantes sendo que há 4 milhões de desempregados. Isso dá dez por cento de população inativa (!!) – não sei se contam crianças e idosos - grande parte vivendo de seguro desemprego (lá dá para ficar quase um ano nessa). Para tentar amenizar, o Governo criou programas para facilitar o retorno dos imigrantes para seus países e criou também milhares de obras desnecessárias para gerar emprego.  (obs da obs – mesmo assim, muitas lojas fecham para a siesta e eu me pergunto: por que não criam turnos e contratam mais gente? Enfim…)

GASTRONOMIA – Esse item definitivamente merece um post à parte.





TODAY AT WORK…

15 10 2009

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Renata Ursaia. Kiko Ferrite.  
Competitivos? De jeito nenhum…





PRO TOOLS 8

14 10 2009

Essa é para quem tem Pro Tools:  Saiu, no final de agosto, a versão 8.0.1. A atualização (gratuita no link abaixo) promete um software mais rápido, estável e eficiente com mudanças na visualização e no manuseio da ferramenta de seleção de áudio.

PRO TOOLS 8.0.1 – LE, HD ou M-Powered, para MAC ou PC





CARLA CAROL LETÍCIA BARCELONA

12 10 2009

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(Parque Güel)

Nossa trip foi dividida em duas partes: Barcelona e Marrocos. Chegamos a pensar em pegar um carro e fazer a Costa Brava, mas um furacão atrapalhou nossos planos… Vou postando aqui aos poucos senão nem eu vou ter paciência de ler tudo de uma vez.

Letícia já tinha morado dois anos em Barcelona então andar por lá foi fácil. Hospedagem na casa de amigos, metrô para todo lado (são 9 linhas à disposição), espanhol fluente de Lê. Além de ser a segunda maior cidade da Espanha, ela é considerada a capital da Comunidade Autônoma da Catalúnia. Sim, exista uma nação autônoma (não são independentes mas tomam suas próprias decisões) dentro da Espanha com língua própria, cultura diferente e muita rixa com os espanhóis. Vi muitos pixos agressivos metendo o pau nos dois lados… 

Barcelona pode ser definida de várias formas, mas definitivamente é uma cidade que respira arte. Por onde você anda, há museus, construções lindas, pisos esculpidos, graffiti, música rolando, gente se manifestando. E viajantes a rodo, além dos turistas (dizem que a diferença é que o viajante nunca sabe quando vai embora). Conversei com paquistaneses, marroquinos, brasileiros, franceses, angolanos, italianos, portugueses… A sensação que tive é que essa é uma cidade de transição, onde você vem, aprende espanhol, faz algum curso e depois segue a vida em outro lugar. Poucos realmente se fixam lá. 

Reconhecer um espanhol é fácil: costumam ser bem grossos. Exemplo? Num restaurante de rua perguntamos “o que son habas” para um garçom que, impacientemente respondeu “oras, habas son habas!!”. Ainda descrentes, perguntamos “en la ensalada de arroz hay lettuce?” (ou: “tem alface na salada de arroz?”) e toma-lhe um: “la ensalada és de arroooooz!!” com mãozinha chacoalhando e tudo - juro que quase ouvi um “hello-ooo!” enquanto ele virava as costas pra atender outra mesa. Ah, em tempo: habas são favas.

Outra forma de reconhecê-los é pelo style: homens adotaram o mullet como corte oficial - de frente parece um cabelo curto mas quando viram de costas, uma espécie de rabo sai de um projeto de moicano. Já as minas continuam firmes e fortes no corte “capacete” (aquele todo repicado e comprido, com franjinha), variando com um coque lá em cima (quase no redemoinho mesmo), além da sandália amarrada no tornozelo por cima da calça saruel.

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(Le e Carol nas ruas de Barça)

Curiosidade 1: Todo mundo anda de bike por 48 euros por ano. Por ano! São vários bicicletários por toda a cidade, onde vc retira e deixa a bike vermelhinha. Imagina isso no Brasil, quantos não iriam levar a parada “pra casa”.   

Curiosidade 2: “El Dia dels Trastos” – Toda quarta-feira num determinado horário, as pessoas têm o costume de deixar na rua coisas que já não querem mais: cadeiras, mesas, roupas, louças, panelas, geladeiras… Quem estiver a fim, pega. Na época em que morava lá, Letícia pegou um colchão de casal para acomodar amigos que vinham visitá-la (receber pessoas é prazeroso e faz parte do espírito deles), tentou subir pelo elevador e não conseguiu. Chamou a amiga e subiram váááários andares de escada com o enorme “elefante”. Lá em cima, óbvio, a parada não coube embaixo da cama que era o lugar planejado para ele e nem em lugar a-l-g-u-m. E lá vai Letícia, desanimada, levar o colchão escada abaixo e deixar na rua novamente. Detalhe: já tinha passado da hora e ela tomou uma enorme multa. Morri de dó.





BASTARDOS INGLÓRIOS

12 10 2009

Sábado, início de feriado, 13h e eu na Trip olhando crédito de foto e assinando cromalim para mandar pra gráfica. Pelo menos o Cinema da Vila é aqui do lado %$*&#%@… Olhando o lado bom da coisa, poucas pessoas vão à sessão das 15h e, como eu tava afobada pra ver “Bastardos Inglórios” e sabia que seria concorrido, dividimos a sessão vaziiiia com vários velhinhos fofos.

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BASTARDOS INGLÓRIOS, 2009, EUA, dir.: Quentin Tarantino. Apesar do filme ter como ambiente a 2.ª Guerra Mundial, a história é fictícia. Como é comum, duas tramas acontecem em paralelo para depois se interseccionar: em uma, Shosanna vê sua família francesa ser morta durante a ocupação da Alemanha Nazista e escapa por pouco. Já adulta, disfarça-se de dona de um cinema francês. Enquanto isso, Brad Pitt é o chefe dos Bastardos Inglórios, um grupo de americanos judeus cujo objetivo é matar “cruel e violentamente” (estilo Tarantino) todos os nazis que passarem pela frente. Como se vê, ambos têm em comum o ódio e o desejo de vingança e é nesse momento que as tramas se cruzam. Só não curti o Mike Mayers no filme (odeio), mas as três melhores coisas compensam: o sotaque do Brad Pitt, a trilha sonora e o final fictício delicioso. Como toda boa escorpiana, adoro vinganças que se completam.





MAPA DE LOS SONIDOS DE TOKIO

6 10 2009

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MAPA DE LOS SONIDOS DE TOKIO, 2009, Japão e Espanha, dir:Isabel Coixet. Vi esse filme em Barcelona, mas deve chegar ao Brasil em breve, muito provavelmente na Mostra de Cinema que se aproxima (uhu!). A diretora catalã (“Minha Vida Sem Mim”) teve a idéia do filme enquanto passeava pelo mercado de peixe de Tóquio e viu uma japonesa linda limpando os atuns. Ela se recusou fortemente a ser fotografada, o que levou Isabel a ficar imaginando o motivo…
Filmado em Tóquio e Barcelona, “Mapa de Los Sonidos” conta a história de Ryu (a japa surda de “Babel”), uma moça aparentemente frágil que durante a noite trabalha no mercado de peixe e, eventualmente, faz uns “freelas” de assassina. Uma de suas missões é matar o espanhol David que, segundo o sr. Nagara (mandante do crime), é um dos culpados pelo suicídio de sua filha Midori. O texto é narrado por um engenheiro de som fascinado por Ryu e pelos sons da cidade. Filme lindo do começo ao fim…